O desafio da geração “nem-nem”: desinteresse ou falta de oportunidades?

Segundo a PNAD Contínua de 2021, cerca de 27% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam e não trabalham | Foto: Pixabay
*Por Felipe Vasconcelos

Atualmente, não são raros os casos de jovens que fazem parte da chamada “geração nem-nem”, aqueles que nem estudam nem trabalham, impossibilitando o desenvolvimento social destes jovens e diminuindo a sua possibilidade de contribuir com a sociedade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2021, cerca de 27% dos jovens entre 15 e 29 anos se encaixam nesse perfil, representando um sinal significativo de falta de perspectiva para os jovens no Brasil, sendo esta causada por uma série de fatores, como dificuldades econômicas, problemas do modelo de ensino tradicional, desinteresse e até desconhecimento com relação a certas oportunidades.

Fato é que, por esta falta de perspectiva, os jovens no Brasil não são estimulados a buscarem tal desenvolvimento pessoal, prejudicando de forma significativa o futuro destes e, consequentemente, do país. É natural que, como já abordado no primeiro parágrafo, fenômenos como as dificuldades impostas pela desigualdade econômica, o fato de que o modelo de ensino tradicional não estimula um desenvolvimento independente dos estudantes e até mesmo a cultura do imediatismo, que impede muitos estudantes a pensarem no longo prazo, intensifiquem tal fenômeno, até mesmo em jovens que estão inseridos no mercado de trabalho ou estudando. 

Ainda assim, considero que as oportunidades de crescimento disponíveis para a juventude estão maiores do que nunca – e ainda tendem a crescer -, facilitando a reversão deste fenômeno. Isso porque iniciativas voltadas à educação são cada dia mais expandidas, impulsionadas por plataformas digitais e redes sociais que ajudam neste crescimento. 

Exemplo claro disto são as simulações da ONU, que, pelo que observo, já mudaram a vida acadêmica de milhares de jovens brasileiros, incluindo a minha, ensinando habilidades como a oratória, a negociação e a liderança, além de prover insights valiosos para aqueles que desejarem se aprofundar em questões complexas do mundo atual. Neste ano, como advisor da maior delegação brasileira nas simulações de Harvard e Yale, pude perceber isto ainda mais de perto, conhecendo e guiando dezenas de estudantes que foram profundamente impactados pelo mundo das simulações, assim como fui ano passado, quando fui premiado em Harvard e Yale.

Para além disso, inúmeros outros projetos em diversas áreas são criados frequentemente como grupos de literatura e teatro para jovens, além de grupos de conversação em inglês, criando assim oportunidades para jovens que se interessem por essas respectivas áreas. Pessoalmente, criei o Observatório Atena, visando democratizar o conhecimento geopolítico para estudantes e já tendo alcançado milhares de interessados. Há de se destacar também as plataformas de cursos digitais, que oferecem conteúdo em diversas áreas diferentes e, em medida significativa, gratuitos.

Sendo assim, a reflexão que enxergo como crucial para reverter o desinteresse das novas gerações em trilhar um caminho acadêmico e profissional é: como tornar a educação mais atraente sem precisar de uma reforma educacional estrutural que, por ora, vejo como irrealista? 

Naturalmente, a educação e o engajamento jovem é um dos principais combustíveis para o desenvolvimento do país e da geração a qual fazem parte, mas esta precisa ser apresentada aos estudantes como uma monótona obrigação sem sentido mas como um prato cheio de oportunidades para a construção de um futuro, o que é algo que considero que as oportunidades que mencionei acima trazem. No entanto, reconheço que não são uma solução completa por si só, e que um grande caminho está à nossa frente na reversão do desinteresse e na construção de um engajamento jovem no Brasil.

* Felipe Vasconcelos – Felipe Vasconcelos é um jovem estudioso de geopolítica, premiado em todas as suas 12 participações em MUN’s – Modelo de Simulação de Organismos Internacionais. Aos 17 anos, já realizou mais de 60 cursos sobre temas como segurança internacional, terrorismo, guerra, entre outros. É criador do Observatório Atena, perfil que visa difundir conhecimento sobre geopolítica, história e economia para estudantes, além de ter estagiado na Coordenadoria Especial de Relações Internacionais e Cooperação da Prefeitura do Rio de Janeiro, lecionar cursos de Geopolítica para jovens e escrever sobre Política Internacional em diversos portais.

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