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Novo presidente da Cedae corta R$ 500 milhões em gastos e revisa contratos para evitar prejuízo

Rafael Rolim Assume Presidencia Da Cedae No Rj

Rafael Rolim reduz orçamento, audita contratos sem licitação e revê aplicações financeiras da estatal após identificar desequilíbrio nas contas da companhia

A nova gestão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) iniciou uma ampla revisão financeira para conter despesas e evitar que a estatal encerre 2027 no vermelho. Desde que assumiu a presidência da empresa, em abril, Rafael Rolim implementou um corte imediato de 25% no orçamento destinado a obras e serviços, o equivalente a cerca de R$ 500 milhões.

A meta da direção é ampliar essa redução para 35% nas próximas semanas, como parte de um pacote de ajuste fiscal voltado ao equilíbrio financeiro da companhia.

Segundo Rolim, a medida foi necessária após a identificação de um cenário de despesas elevadas e queda na arrecadação.

Auditoria encontra R$ 1 bilhão em contratos sem licitação

Além da redução de gastos, a nova gestão colocou em prática uma auditoria interna sobre contratos firmados nos últimos 12 meses. A análise preliminar apontou aproximadamente R$ 1 bilhão em contratos celebrados por dispensa ou inexigibilidade de licitação, além de acordos realizados via atas de registro de preços e pregões externos.

A revisão busca identificar possíveis inconsistências jurídicas e administrativas.

Rolim afirmou que, caso sejam constatadas irregularidades, a companhia poderá adotar medidas para regularização contratual e responsabilização.

A Controladoria Geral do Estado (CGE) também participa do pente-fino, analisando 230 contratos acima de R$ 1 milhão. Outros 150 contratos de menor valor seguem sob auditoria interna.

Aplicações financeiras de R$ 2,2 bilhões entram na mira

Outra frente de investigação aberta pela presidência envolve as aplicações financeiras da Cedae, que atualmente somam cerca de R$ 2,2 bilhões.

Dentro desse montante, mais de R$ 200 milhões foram investidos no Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial por determinação do Banco Central em novembro de 2025, após suspeitas de fraude na gestão.

Diante do cenário, a companhia encaminhou ao conselho de administração uma proposta para endurecer sua política de investimentos e reduzir exposição a riscos financeiros.

Acordo com Águas do Rio também é investigado

A gestão também abriu auditoria sobre o acordo firmado entre o governo anterior e a concessionária Águas do Rio, que reduziu em 24,13% o valor pago pela água captada e tratada pela Cedae.

O contrato foi alvo de questionamentos após a concessionária apontar divergências nos índices de cobertura de água e esgoto apresentados no edital de concessão do saneamento de 2021.

Uma decisão liminar mantém suspensa a cobrança pelo valor integral da água.

Rolim afirmou que a estatal não teve responsabilidade direta pelas informações que embasaram o processo de concessão.

Além da Águas do Rio, as operações de saneamento também foram transferidas para Iguá e Rio+Saneamento em parte do estado, enquanto a Cedae segue responsável diretamente em 15 municípios fluminenses.

Cortes atingem terceirizados, comissionados e contratos operacionais

O enxugamento promovido pela presidência também atingiu despesas administrativas e de pessoal.

O número de cargos comissionados caiu de 134 para 87, enquanto cerca de 100 terceirizados foram desligados entre quase 400 profissionais contratados.

Já contratos nas áreas operacional, financeira e de tecnologia da informação passaram por revisão, incluindo serviços de monitoramento hídrico, softwares e obras em unidades operacionais.

As obras do Novo Guandu, considerado projeto estratégico para ampliação do abastecimento de água, ficaram fora dos cortes.

Balanço de 2025 atrasa após gestão apontar inconsistências

Outro problema identificado pela nova direção envolve o balanço financeiro de 2025, que deveria ter sido entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em março.

A atual administração informou ter encontrado inconsistências nos números apresentados, incluindo o lucro estimado em R$ 1,1 bilhão.

Por causa da revisão, o documento será entregue com atraso até o fim deste mês.

Rolim classificou o balanço recebido como incompatível com a realidade financeira encontrada pela nova gestão.

Dados apresentados internamente mostram crescimento de 17% nos gastos com pessoal entre 2023 e 2026, enquanto despesas com contratos terceirizados avançaram 116% no mesmo período.

Sem ajustes, projeções internas indicam lucro de R$ 646 milhões em 2026, mas déficit estimado em R$ 387 milhões no ano seguinte.

Meta da nova gestão é recuperar equilíbrio financeiro

Durante encontro com funcionários na sede da companhia, na Cidade Nova, Rolim reforçou que a prioridade será fortalecer a governança e profissionalizar áreas estratégicas da estatal.

Ele afirmou ainda que todas as diretorias foram despolitizadas e que futuras decisões dependerão exclusivamente de critérios técnicos.

A orientação repassada aos servidores foi de atenção máxima aos gastos e à arrecadação, com foco na recuperação financeira da companhia.

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