Comissão de Saúde da Alerj debate enfrentamento à doença no Rio

março 24, 2021 /

No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) reuniu nesta quarta-feira (24/03), de maneira remota, membros da administração pública e da sociedade civil para debaterem o enfrentamento à doença no estado. Além da exposição de visões gerais sobre o tema, foi discutida a destinação de recursos do Plano de Enfrentamento à Tuberculose no Estado, parceria firmada entre Alerj e governo estadual, que irá destinar aproximadamente R$ 250 milhões, nos próximos 5 anos, a esse propósito. De acordo com os dados mais recentes, do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (de março de 2019), o estado do Rio tem um índice de cura de 66% entre os casos de tuberculose diagnosticados, enquanto a meta nacional é de 85%. Já o índice de abandono de tratamento é de 13%, ao passo que a meta nacional é de 5%.

Deputada Martha Rocha (PDT), presidente da comissão / Foto: Banco de Imagem

A deputada Martha Rocha (PDT), presidente da comissão, falou das ações a serem tomadas para fortalecer o plano de enfrentamento: “Vamos estabelecer um calendário permanente de fiscalização destes recursos e de solução de empecilhos. Faremos audiências para engajar movimentos sociais, universidades e estaremos em contato direto com os municípios, principalmente aqueles em que o problema é mais grave”.

Já a deputada Renata Souza (PSol) ressaltou a importância do parlamento estadual na execução de políticas públicas sociais: “A Comissão de Saúde está aprimorando o debate sobre a tuberculose, a doença da pobreza. A Alerj tem se colocado como responsável por processos de política pública, com início, meio e fim. Temos que fazer uma busca ativa, encontrar as pessoas esquecidas pelo poder público”.

O superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Mario Sérgio Ribeiro, também destacou a importância da fiscalização e da gestão de recursos financeiros: “Vamos precisar de muito monitoramento da Alerj. Os deputados conhecem os entraves ao uso do recurso público”.

Proteção aos mais vulneráveis

A tuberculose é reconhecidamente uma doença de incidência maior entre os pobres. A necessidade de trabalhar junto a outros setores de bem-estar social também foi bastante destacada durante a reunião. Técnica da Gerência do Programa de Tuberculose da SES, a médica Ana Alice Teixeira fez um panorama da doença entre as pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

“A curva de aumento da doença segue a curva de aumento do desemprego. Além disso, a doença vem aumentando entre os presidiários, tendo um índice de 2.000 casos a cada 100.000 pessoas. A assistência nestes locais é demorada, tendo às vezes uma unidade de saúde, com um médico, uma ou duas vezes na semana, para atender 3 mil presidiários. Não se controla a tuberculose com presídios superlotados”, destacou Ana Alice.

Aloma Carvalho