“Ninguém quer mudar o ministro. Mas a política externa vai mudar”, adverte Dr. Luizinho

março 27, 2021 /

O médico  iguaçuano Luiz Antônio Teixeira Júnior, que já foi secretário municipal de saúde de Nova Iguaçu e do estado do Rio de Janeiro, é o entrevistado de amanhã ( 28/03) do programa O Jogo do Poder, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno. Autor da Lei da Covid, Dr. Luizinho (PP) assumiu dias atrás a presidência da poderosa Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, por onde passa todos os projetos que envolvem Saúde e Família.

Abaixo, um breve resumo da entrevista:

RICARDO BRUNO

A política internacional errática do governo do presidente Jair Bolsonaro está dificultando ainda mais a condução das ações de enfretamento da pandemia país. A opinião é do deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), presidente da comissão de controle externo da COVID-19 e um dos parlamentares mais próximos do presidente da Câmara, Arthur Lira.

Em entrevista ao Jogo do Poder, que vai ao ar no próximo domingo, ele fez o inventário dos principais erros e suas consequências desastrosas para a obtenção de vacinas e insumos imunizantes. A gravação atrasou por 10 minutos: o deputado precisou atender a um telefonema do Ministro Ernesto Araújo, cujo atuação tem sido duramente criticada pelas principais lideranças do Congresso Nacional.

– Ninguém quer mudar o ministro. Agora, não há dúvida de que a política externa tem que mudar, vai mudar. Não dá mais – afirmou Luizinho, durante o programa, elevando o tom num movimento similar ao do presidente Arthur Lira ao exigir alterações de rumo nas ações governamentais.

Lembrado de que o ministro desferira ataques coléricos e irracionais à China, dificultando enormemente o diálogo, Luizinho recorreu a uma frase do ex-presidente Fernando Henrique – “Esqueçam o que eu escrevi” – para afirmar:

– Ele terá de dizer: esqueçam o que eu falei.

Na quinta-feira (25), Luizinho participou, juntamente com o presidente da Câmara, de quatro exaustivas reuniões com autoridades chinesas, entre as quais o ministro das relações exteriores do pais e o embaixador no Brasil. Lira e Luizinho estão tentando fazer o que Ernesto Araújo não faz: construir pontes com o Governo da China, maior parceiro comercial do Brasil, origem dos insumos das duas principais vacinas brasileiras: a Coronav e a Oxford/Astrazeneca.

Após ressalvas de caráter pessoal – “ele é meu amigo” –, Luizinho, cujo nome é sempre lembrado como candidato potencial ao cargo, concordou com as limitações do general Eduardo Pazuello durante o período em que esteve à frente do Ministério da Saúde. Com férrea franqueza, afirmou que o Brasil “tem errado em tudo” no que se refere às ações de enfretamento da covid.

– De fato, está tudo errado – disparou, com a convicção de quem acompanha de perto o problema.

Na entrevista, ele lembrou a atuação da Câmara para viabilizar a compra de vacinas da Pfizer, com a aprovação em tempo recorde de um seguro para casos que produzam efeito colateral. A lembrança é introduzida na conversa para produzir um espécie de contraste com a inabilidade de Pazuello diante do caso.

Para Luizinho, Pazuello deveria ter pedido o boné, ou quepe para usar uma expressão militar, no momento em que fora desautorizado publicamente pelo presidente Bolsonaro , ao afirmar que compraria todas as doses da Coronavac. No dia seguinte, ao falar aos admiradores no cercadinho do Alvorada, o presidente contraditara: “Não vamos comprar nada”.

– Eu teria pedido para sair ali – comentou.

A entrevista com o deputado Dr. Luizinho vai ao ar domingo, às 22h30h, na Rede CNT de Televisão.

     

    Paulo Cézar

    PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.