O Hospital e Maternidade Municipal Juscelino Kubitschek, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, teve os atendimentos no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e na emergência suspensos. Em comunicado divulgado neste sábado (31), o prefeito do município, Abraão David Neto, explicou que a medida foi tomada devido à redução dos repasses financeiros do Governo do Estado do Rio.
De acordo com o prefeito, a unidade recebia R$ 5,6 milhões por mês, mas, após a redução do repasse, passou a contar com R$ 1 milhão mensais. O valor menor, no entanto, também estaria em atraso.
“Nosso dever é não nos escondermos. Desde junho, o Governo do Estado apresentou na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) a redução do repasse para o custeio do hospital. A gente recebia R$ 5,6 milhões por mês e passamos a receber R$ 1 milhão, e esse valor reduzido está em atraso. Dissemos o tempo todo que o município sozinho não conseguiria arcar com as despesas para manter o hospital aberto”, disse o prefeito.
Ainda segundo Abraão David Neto, a prefeitura tem feito esforços para evitar o fechamento da unidade, mas precisou suspender os atendimentos de emergência enquanto a situação não for resolvida. “Nós estamos fazendo um esforço enorme para não fechá-lo, mas teremos que suspender o atendimento de emergência enquanto essa situação perdurar. Portanto, em casos urgentes, pedimos que a nossa população se dirija à nossa UPA, que continuará funcionando normalmente no bairro Cabuís”, completou.
Os demais setores, como a maternidade, os leitos de internação clínica e as cirurgias eletivas, continuarão funcionando. Segundo o prefeito, as despesas dessas áreas serão custeadas com recursos de outra fonte.
“As despesas vão continuar sendo pagas por meio do aumento do MAC (Média e Alta Complexidade), conquistado pelo governador em exercício, Ricardo Couto, junto ao governo federal, com o ministro Alexandre Padilha”, afirmou.
O prefeito também reconheceu os prejuízos causados à população pela suspensão dos serviços, já que o hospital é o principal centro de atendimento de emergência do município. “Nós sabemos do prejuízo que isso causa à população, mas podemos garantir que não descansaremos até que essa situação seja normalizada. O governador eleito, Douglas Ruas, se comprometeu a retornar integralmente esse repasse”, disse Abraão David Neto.
Quem tem feito a intermediação com Ruas é o deputado estadual Rafael Nobre (União). “Já apresentamos ao governador Douglas Ruas a gravidade do problema e a necessidade de garantir os recursos para o funcionamento do hospital. Nosso objetivo é restabelecer o atendimento de emergência o mais rápido possível e garantir que a população tenha acesso à saúde perto de casa”, disse Rafael Nobre.
O que diz a SES-RJ
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) informou que novos critérios de distribuição dos recursos estaduais para a saúde foram estabelecidos pela Resolução SES nº 4.024/2026, pactuada com todas as prefeituras fluminenses. A medida substituiu a Resolução SES nº 3.642/2025 e estabeleceu uma nova metodologia de distribuição, com o objetivo de ampliar e descentralizar os recursos de forma mais equânime entre os municípios.
“Até o fim deste ano, serão destinados R$ 860 milhões aos 92 municípios fluminenses, substituindo incentivos específicos por uma política de financiamento mais abrangente”, disse.
Em relação a Nilópolis, a SES-RJ esclareceU que o valor mencionado pelo município foi repassado integralmente até 2025, conforme as regras anteriores. Informou, ainda, que o crédito referente a setembro, no valor de R$ 3,3 milhões, foi realizado dentro do prazo previsto.
Hospital foi reinaugurado há dois anos
O Governo do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com a Prefeitura de Nilópolis e o Governo Federal, reinaugurou em agosto de 2024 o Hospital Municipal e Maternidade Juscelino Kubitscheck. A unidade de grande porte ficou fechada por dez anos e foi entregue à população no dia em que a cidade comemorou o aniversário de 77 anos de emancipação político-administrativa.
A obra recebeu apoio financeiro de cerca de R$ 32 milhões, do total de R$ 64 milhões que o Governo do Estado repassou para a saúde do município da Baixada Fluminense entre 2021 e 2024.
A unidade tem cinco andares e conta com 102 leitos, incluindo a maternidade. Quando inaugurado, a promessa era oferecer atendimento de emergência e urgência, inclusive para pediatria, centro cirúrgico e obstétrico, centro de parto normal, berçário, clínica cirúrgica, clínica geral e quartos de pré-parto, parto e pós-parto.








