Nova Iguassu Online

Na Casa do Menor, padre Renato Chiera festeja 83 anos nesta segunda-feira salvando jovens do tráfico e dos milicianos da periferia de Nova Iguaçu

Renato Chiera, 83 anos, continua salvando jovens da violência através da Casa do Menor São Miguel Arcanjo. Foto: Paulo Cezar Pereira e Divulgação.

A cidade de Mondovi, na província de Cuneo, região de Piemonte, fica a 10 mil quilômetros de Nova Iguaçu. Foi de lá que 17 sacerdotes “Fidei Domun” ( movimento criado por Pio XII, em 1957, para despertar a vocação missionária entre os padres diocesanos) . italianos partiram em direção a Sorocaba (SP) e a Nova Iguaçu nos anos 50 e 60. Do grupo, apenas Renato Chiera permanece ativo na Baixada Fluminense.

Nesta segunda-feira (21), Chiera, comemora 83 anos de idade no bairro de Miguel Couto, onde criou a Casa do menor São Miguel Arcanjo, instituição que já deu oportunidades de trabalho a mais de 100 mil jovens e adultos em Nova Iguaçu, Fortaleza e na Guiné Bissau. O religioso convive com a violência da periferia salvando jovens da criminalidade. Na semana passada, três deles foram mortos em confrontos dos traficantes da comunidade do Buraco do Boi, nas proximidades da Casa do Menor, com milicianos.

Para angariar recursos a instituição promoveu ontem (19) o Arraiá do Cumpadi Chiera. Padre Renato está lançando o livro De Mondoví para o mundo e do mundo para Mondoví, publicação que conta a experiência dos missionários italianos na periferia de Nova Iguaçu desde 1966, quando Dom Adriano Hipólito começou seu bispado na principal diocese da Baixada Fluminense. Os missionários trabalharam nas comunidades católicas de Heliópolis, Cruzeiro do Sul, Nova Aurora, Lote Quinze, Santa Rita, entre outras. Duas religiosas italianas, Maria Oderda e Eleonora Pizzoti, ajudavam os sacerdotes no trabalho social.

Dudu Reina na Casa do Menor

Da esquerda para direita na foto: Renato Chiera, Dudu Reina, Lucinha e Roberta Teixeira

Na última quarta-feira, o prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina, e a vice Roberta Teixeira foram a Miguel Couto visitar padre Renato Chiera. Saíram do encontro prometendo mais ajuda à instituição. A Prefeitura paga, mensalmente, R$ 48 mil para manter 20 jovens nas duas casas de acolhimento, o que não é suficiente. Dudu Reina destacou a importância da Casa do Menor na ajuda ao poder público na área social e ficou de autorizar a instituição a não pagar taxas e impostos à prefeitura, fazendo valer a lei que isenta instituições religiosas e filantrópicas destas obrigações tributárias.

Para manter a instituição, padre Chiera roda o chapéu há décadas tentando sensibilizar os políticos. No ano passado, os deputados Dr. Luizinho e Juninho do Pneu assinaram emendas parlamentares para Renato Chiera manter os jovens aprendendo uma profissão na Casa do Menor. Em agosto próximo, após o recesso, Lúcia Inês, a Lucinha, embarca para Brasília. Ela vai peregrinar pelos gabinetes de deputados e senadores com pedidos de dinheiro público para a mais importante obra social da Baixada Fluminense.

Sair da versão mobile