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Mulher baleada no Leblon durante assalto é a arqueóloga responsável pela descoberta do Cais do Valongo

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Tânia Andrade Lima foi atingida por três tiros, na Rua General Venâncio Flores, no início da tarde de quinta (15/10), após ter saído de um banco

O caso da mulher baleada no Leblon, Zona Sul, na tarde desta quinta-feira (15/10) ganha novos desdobramentos. A vítima foi identificada como sendo a arqueóloga Tânia Andrade Lima, responsável pela descoberta do Cais do Valongo, durante as obras da Prefeitura do Rio para revitalizar da Zona Portuária.

Tânia foi baleada durante uma tentativa de assalto na Rua General Venâncio Flores no início da tarde, após ter saído de um banco. Ela foi atingida por três tiros; um no pescoço e outro no ombro, sem gravidade, e um terceiro na mão, que inspirava mais cuidados. A arqueóloga foi levada para o Hospital Miguel Couto, mas deixou a unidade com familiares, que optaram por levá-la para hospital conveniado ao seu plano de saúde.

Com carreira acadêmica focada na Arqueologia, Tânia é pesquisadora sênior do CNPq e professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ. Na instituição, ela fundou e coordenou o Programa de Pós-Graduação em Arqueologia.

Tânia foi responsável pela descoberta do Cais do Valongo, um antigo cais construído em 1811 localizado na Zona Portuária do Rio , entre as atuais ruas Coelho e Castro e Sacadura Cabral. O cais atuou como local de desembarque e comércio de escravizados africanos até 1831, sendo desativado com a proibição do tráfico transatlântico de escravos pela Inglaterra. Em 1843, foi rebatizado como Cais da Imperatriz ao receber a princesa Teresa Cristina. O local recebeu o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2017, por ser o único vestígio material da chegada dos africanos escravizados na América.

Em 2023, ela foi a segunda mulher brasileira a receber o prêmio Hypatia Award. Também já recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, em 2006, e o Prêmio Globo “Faz Diferença”, na categoria “Rio”, em 2016.

Após o ocorrido, o Museu Nacional prestou solidariedade à professora por meio de uma nota:

“Destacamos, nesse momento de extrema preocupação, a dedicação da professora Tânia ao longo de décadas de serviços prestados à instituição. Lamentamos ainda que esse episódio terrível tenha ocorrido justamente no Dia dos Professores, dedicado à valorização desses profissionais tão especiais e imprescindíveis em nossa sociedade, como Tânia Andrade Lima. Ocorrências como esta nos levam a refletir sobre o agravamento crescente do cenário de violência em nossa cidade. Manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas da professora, a quem desejamos pronta e plena recuperação.”

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