Ícone do site Nova Iguassu Online

MPRJ propõe falência da Refit, após mais de 10 anos em recuperação judicial

Whatsapp Image 2025 11 27 At 07.00.44

Ministério Público considera que empresa não atingiu objetivo de reestruturação econômico-financeira, visto que passivo fiscal da refinaria aumentou de cerca de R$ 5 bilhões para aproximadamente R$ 25,7 bilhões

MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) apresentou à Justiça, na terça-feira (26), manifestação em que defende a análise da conversão da recuperação judicial da Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, em falência.

Segundo o Ministério Público, a empresa não atingiu o objetivo de reestruturação econômico-financeira previsto na legislação, mesmo após mais de dez anos sob processo de recuperação.

“O passivo fiscal da refinaria aumentou de cerca de R$ 5 bilhões para aproximadamente R$ 25,7 bilhões, demonstrando a ineficácia do processo”, relata.

A manifestação ainda aponta que a Refit manteve inadimplência tributária recorrente nos últimos anos. Dados apresentados por órgãos fazendários indicam que mais de 80% dos tributos devidos entre 2022 e 2024 deixaram de ser pagos, comportamento de que, segundo o MP, caracteriza a atuação de um devedor contumaz.

O GASF (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal) também cita investigações e operações conduzidas por órgãos de controle e persecução penal que apontariam para um modelo de atuação baseado em sonegação fiscal e fraude estruturada.

Entre os índicios mencionados estão “práticas de ocultação patrimonial e mecanismos destinados a dificultar a cobrança de tributos”.

Na avaliação do Ministério Público, a manutenção da recuperação judicial vem produzindo efeito contrário ao esperado, contribuindo para o crescimento contínuo do passivo tributário e gerando impactos negativos à odem econômica e ao interesse judicial.

O documento também destaca o “descumprimento de obrigações previstas no plano de recuperação judicial”, incluindo a ausência de informações atualizadas sobre o passivo tributário e a falta de medidas efetivas para a quitação das dívidas, mesmo após prazos concedidos pela Justiça.

“Foram relatados descumprimentos de parcelamentos tributários firmados como condição para a manutenção da recuperação judicial”, completa o MP.

Outro ponto enfatizado pelo MPRJ é a existência de indícios de esvaziamento patrimonial, com retirada de bens e recursos da empresa, o que teria dificultado o pagamento dos créditos, especialmente os tributários.

A manifestação menciona tentativas frustradas de bloqueio de ativos e decisões judiciais que reconheceram a existência de grupo econômico de fato associado à ocultação patrimonial.

Em nota, a Refit disse que a cobrança de supostos débitos tributários são questionados pela companhia, por meios legais e transparentes, como fazem inúmeras empresas que divergem de uma cobrança tributária, incluindo a própria Petrobras, maior devedora do estado do Rio de Janeiro.

A companhia explica ainda que grande parte dos débitos tributários foram herdados de gestões anteriores e, desde então, a companhia vem adotando medidas de regularização junto ao Governo Federal e ao Governo do Rio de Janeiro.

“As operações contra a Refit prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel formado por três grandes empresas já condenadas pelo CADE por controlarem o preço do combustível nos postos, prejudicando a população”, conclui o texto.

Sair da versão mobile