Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Moraes diz que crime organizado pratica “corrupção institucionalizada” no Rio de Janeiro

dezembro 8, 2023 /

O crime organizado tem influenciado a política e o Judiciário no Rio de Janeiro, criando uma situação de “corrupção institucionalizada”, segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Em um evento nesta quinta-feira (7), ele defendeu que o combate a esse problema deve seguir o mesmo modelo usado para investigar as estatais envolvidas em esquemas de desvio de recursos.

— O tráfico de drogas não é só um problema de drogas. O tráfico de drogas é um problema de corrupção nas polícias, de corrupção nos ministérios públicos, de corrupção no Poder Judiciário. No mínimo corrupção por omissão. E corrupção nas Assembleias Legislativas, governo de estado. Ninguém aqui acha que é possível tráfico de drogas, vamos pegar o estado do Rio de Janeiro, milícias, o crime organizado crescer tanto, se não houver uma corrupção institucionalizada, se não houver o avanço do crime organizado nessa corrupção — afirmou.

Moraes participou de um evento no Ministério Público Federal (MPF) em alusão ao Dia Internacional Contra a Corrupção, que será celebrado no próximo sábado.

O ministro do STF ressaltou que outros estados, como São Paulo, também têm um crime organizado forte, mas que a situação é diferente da encontrada no Rio de Janeiro.

— São Paulo tem uma criminalidade organizada forte, o PCC. Mas qual a grande diferença em relação, seja a São Paulo, seja outros estados, em relação à criminalidade organizada no estado do Rio de Janeiro? É que a criminalidade organizada está infiltrada institucionalmente em vários órgãos. Isso é a verdadeira corrupção — disse, acrescentando depois: — Como é possível tantos fuzis chegaram no alto de um morro no Rio de Janeiro se não houver corrupção? É algo absolutamente impossível.

Para Moraes, as mesmas técnicas de investigações utilizadas contra a corrupção deveriam ser utilizadas contra crimes contra tráfico de drogas, milícias e jogo do bicho:

— Por que não utilizarmos os mecanismos que foram utilizados no combate à corrupção, que se tornava sistêmica em empresas estatais, porque não utilizarmos esses mesmos mecanismos legais, essa mesma visão de investigação, em relação ao tráfico, em relação às milicas, em relação ao vergonhoso jogo do bicho? Jogo do bicho é uma criminalidade organizada que tem nas costas centenas de homicídios.

O ministro ressaltou, no entanto, que é preciso aumentar a segurança de membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, porque a reação do crime organizada é violenta.

Avanço da extrema-direita

Moraes também fez referência à Operação Lava-Jato, dizendo que o combate à corrupção criou um “vácuo” no mundo político, que permitiu a ascensão da “extrema-direita” — uma referência indireta ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Com informações de O Globo

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.