Mojtaba Khamenei assume liderança suprema do Irã após morte do pai

Assembleia de Especialistas anuncia filho de Ali Khamenei como novo líder do Irã em meio à guerra e à escalada de tensões com Estados Unidos e Israel

A Assembleia de Especialistas do Irã anunciou no domingo (8) a escolha do aiatolá Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica. Ele sucede o pai, Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo no final de fevereiro.

A decisão foi divulgada por meio de um comunicado publicado na mídia estatal iraniana, no qual os clérigos afirmam que a nomeação ocorreu após “estudos cuidadosos e extensivos” realizados durante uma sessão extraordinária da assembleia. Segundo o documento, Mojtaba Khamenei foi escolhido com voto decisivo dos representantes do órgão religioso.

A ascensão do novo líder ocorre em um momento de forte tensão internacional, enquanto o Irã enfrenta ataques e ameaças militares dos Estados Unidos e de Israel, nove dias após o início do atual conflito na região.

Escolha reforça continuidade no poder

Aos 56 anos, Mojtaba Khamenei assume o cargo máximo político e religioso do país após mais de três décadas em que seu pai esteve à frente do regime iraniano. Além de líder supremo, ele passa a exercer também o comando das Forças Armadas.

O novo dirigente é considerado próximo da Guarda Revolucionária Islâmica e vinha exercendo influência nos bastidores do poder iraniano há anos. Apesar disso, sua atuação pública sempre foi discreta, com poucas aparições e raras declarações públicas.

A nomeação indica uma tentativa de preservar a continuidade do sistema político iraniano em meio a um período considerado crítico pela liderança do país.

Tensões com EUA e Israel aumentam

A sucessão também ocorre sob forte pressão externa. Autoridades israelenses já haviam ameaçado eliminar qualquer sucessor de Ali Khamenei após a morte do líder iraniano.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista à rede ABC News neste domingo que o novo líder supremo “não vai durar muito” sem o aval de Washington. Trump já havia afirmado anteriormente que a escolha de Mojtaba Khamenei seria “inaceitável”.

As declarações elevam ainda mais o clima de tensão diplomática e militar envolvendo o Irã e seus adversários no cenário internacional.

Figura discreta e pouco conhecida

Diferentemente do pai, Mojtaba Khamenei possui formação religiosa completa como aiatolá no momento de sua ascensão ao poder. Ele também ficou conhecido por ministrar aulas em seminários xiitas, consideradas populares entre estudantes religiosos.

Apesar disso, sua personalidade e suas posições políticas continuam pouco conhecidas fora do círculo próximo da elite iraniana. Analistas destacam que o novo líder raramente se manifesta publicamente e mantém perfil reservado.

Relatos de três altos funcionários iranianos indicam que Ali Khamenei teria manifestado a conselheiros próximos que não desejava ver o filho como sucessor, justamente para evitar que o cargo se transformasse em uma posição hereditária.

Contexto histórico e articulações internas

A sucessão familiar contrasta com os ideais que marcaram a Revolução Islâmica do Irã de 1979, movimento que derrubou a monarquia e prometeu acabar com a transmissão hereditária de poder no país.

Mesmo assim, a escolha de Mojtaba Khamenei sugere que setores influentes do regime — incluindo altos clérigos, membros da Guarda Revolucionária e líderes políticos — decidiram se unir em torno de uma figura considerada capaz de manter a estabilidade durante o período de guerra.

Entre os apoiadores mais próximos do novo líder está o veterano político Ali Larijani, atual chefe do Conselho de Segurança Nacional. Aliado de longa data de Mojtaba, Larijani tem desempenhado papel central na administração iraniana e mantém forte influência dentro das Forças Armadas.

A escolha reforça a ideia de que a elite política e religiosa do país optou por uma transição rápida e controlada para preservar o sistema de poder em meio à crise.

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