Ministro Ricardo Lewandowski determina abertura de inquérito para investigar conduta do ministro Pazuello na crise sanitária do Amazonas

janeiro 29, 2021 /

A Polícia Federal abriu nesta sexta-feira (29) inquérito para investigar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na crise sanitária do Amazonas. A ação se deu por conta da determinação do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro da Saúde é investigado por causa do colapso na saúde pública no Amazonas devido a pandemia do novo corona vírus. Pacientes morreram pela falta de oxigênio medicinal nos hospitais e muitos foram transferidos para receber atendimento médico em outros Estados.

O envio do caso a Lewandowski foi determinado na segunda-feira (25) pela vice-presidente do STF, Rosa Weber. O pedido de inquérito foi enviado ao Supremo no sábado (23) pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, com base em uma representação do partido Cidadania e em informações apresentadas pelo próprio ministro Pazuello – além de apuração preliminar da própria PGR.

No documento enviado ao STF, a PGR afirma que o Ministério da Saúde recebeu informações sobre um possível colapso do sistema de saúde na capital do Amazonas ainda em dezembro, mas só enviou representantes ao estado em janeiro deste ano. Além disso, aponta indícios de atraso para o envio efetivo de oxigênio hospitalar às cidades amazonenses, ocasionando a morte de dezenas de pacientes com Covid-19 neste mês.

A PGR aponta, ainda, que, no dia 14 de janeiro, o ministério fez a entrega de 120 mil unidades de hidroxicloroquina, como medicamento para tratar a Covid-19. O envio da hidroxicloroquina foi enviato oito dias depois de Eduardo Pazuello saber da crise no sistema de saúde de Manaus.

A cloroquina não tem eficácia comprovada e não é indicado para tratamento da doença pela OMS.

Lewandowski, relator da investigação, avaliou que, considerando a fase embrionária das investigações, Pazuello terá a prerrogativa de marcar dia, horário e local para ser ouvido em depoimento pela Polícia Federal.

A investigação deve tramitar no Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq) devido ao foro privilegiado de Pazuello, na condição de ministro.

Aloma Carvalho