O Ministério da Saúde enviou mais 2 mil doses da vacina contra a mpox ao Rio de Janeiro para reforçar os estoques e ampliar a capacidade de resposta à doença. Com o novo carregamento, o estado chega a 3,5 mil doses recebidas em 2026. A distribuição entre os municípios ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde, enquanto a aplicação será organizada pelas prefeituras.
A medida ocorre em meio ao aumento das notificações no território fluminense. Segundo dados divulgados pelo próprio Ministério da Saúde, o Rio contabilizou 218 casos confirmados neste ano. Apesar da alta recente, o número representa uma redução de 84,2% em relação a 2022, quando foram registrados aproximadamente 1,3 mil diagnósticos.
No cenário nacional, o país confirmou 665 casos em 2026. O resultado representa uma queda de 94% na comparação com 2022, período em que o Brasil ultrapassou a marca de 10 mil ocorrências.
A capital fluminense enfrentava falta de imunizantes. A cidade havia registrado 167 confirmações neste ano, sendo 74 somente em setembro e outubro. No mesmo intervalo de 2025, foram dez diagnósticos.
Os dados municipais também apontavam 81 notificações suspeitas. Na ocasião, dez pacientes estavam internados no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), em Manguinhos.
O Ministério informou que a distribuição será coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde, que deverá organizar o repasse aos municípios conforme as necessidades identificadas.
Governo autoriza compra de mais 20 mil doses
Além do envio ao Rio, o Ministério da Saúde autorizou a aquisição de até 20 mil doses da vacina contra a mpox por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (5) e tem como objetivo recompor o estoque estratégico nacional, garantindo condições para atender às demandas dos estados.
A compra será realizada em parceria com a organização internacional. Segundo o governo federal, a medida tem caráter preventivo e busca manter a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo diante da redução dos registros em comparação com o surto de 2022.
O Ministério acompanha a evolução dos casos, a aplicação dos imunizantes e o consumo das doses distribuídas. Novos repasses ao Rio poderão ocorrer conforme a necessidade apontada pela Secretaria de Estado de Saúde.
Quem pode receber a vacina
A estratégia nacional de imunização estabelece como público prioritário pessoas que vivem com HIV/aids e apresentam contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico. Esse grupo possui maior risco de desenvolver complicações graves da mpox.
O esquema prevê duas aplicações, com intervalo de 28 dias. A orientação é que os pacientes procurem os Centros de Referência onde já fazem acompanhamento para realizar o cadastro e aguardar o agendamento.
Doses remanescentes também podem ser destinadas a pessoas com HIV/aids e CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus.
A vacinação também pode ser indicada após uma exposição ao vírus. A recomendação é que a aplicação ocorra, preferencialmente, nos primeiros quatro dias depois do contato com uma pessoa infectada. O procedimento pode ser realizado em até 14 dias, embora a capacidade de evitar a infecção seja menor nesse intervalo. Nesses casos, o objetivo também é reduzir o risco de evolução para quadros graves.
Febre e lesões estão entre os sintomas
A mpox é uma doença viral transmitida principalmente pelo contato direto com lesões na pele de pessoas infectadas. O contágio também pode ocorrer por meio de fluidos corporais, secreções respiratórias em situações de proximidade prolongada e objetos contaminados.
Entre os sintomas mais comuns estão febre, dores musculares, mal-estar, aumento dos linfonodos, popularmente conhecidos como ínguas, e feridas ou bolhas pelo corpo. As lesões podem aparecer na boca, nos órgãos genitais e na região anal, além de outras partes do corpo.
Pessoas que apresentarem sinais compatíveis com a doença devem procurar uma unidade de saúde para avaliação. Quem teve contato próximo com casos suspeitos ou confirmados também precisa buscar orientação médica para avaliar o risco de exposição e acompanhar possíveis sintomas.
Para evitar a transmissão, as autoridades recomendam não compartilhar objetos pessoais, higienizar as mãos frequentemente e lavar roupas, toalhas e lençóis com água e detergente. Também é importante limpar superfícies de uso frequente e respeitar o período de isolamento indicado pelos profissionais de saúde quando houver confirmação da infecção.








