Militares da Marinha são presos por envolvimento em assassinato de perito no RJ; corpo da vítima foi jogado no Rio Guandu, em Japeri

maio 16, 2022 /

O perito Renato Couto ( foto) trabalhava no Instituto Félix Pacheco

Um corpo localizado na manhã de hoje, no Rio Guandu, na altura de Japeri, na Baixada Fluminense, é do perito papiloscopista Renato Couto, 41, segundo a família do policial, que acompanha o trabalho do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar na região. O corpo foi localizado preso em uma das margens do rio e preso à vegetação. Foram três dias de buscas pelo policial civil, que foi agredido, baleado e sequestrado na sexta-feira (13). O crime foi confessado por três militares da Marinha e pelo pai de um deles, segundo a Polícia Civil.

O desentendimento começou após Renato identificar que alguns materiais da sua obra teriam sido furtados e vendidos a um ferro-velho, na região da Praça da Bandeira, na zona norte do Rio. No local, ele discutiu com o dono do espaço, identificado como Lourival Ferreira Lima. O homem teria acordado com o perito que ele voltasse em outro momento para ser ressarcido. No entanto, na sexta-feira, por volta de 15h, ele foi surpreendido pelo filho de Lourival, Bruno Santos Lima, e outros dois companheiros dele – Manoel Vitor Silva e Darios Fideles Mota – os três militares da ativa da Marinha. Ainda segundo a Polícia Civil, o perito foi agredido com um mata-leão e baleado ao menos duas vezes.

Crime premeditado

Um amigo da vítima, que pediu para não ser identificado, acredita que o crime tenha sido premeditado. Ele foi até lá, chegou a discutir com o dono do ferro-velho e eles chegaram a um acordo. Ficou acertado que o Renato voltaria depois, mas quando ele chegou lá, como combinado, sofreu uma emboscada. Parece que foi algo premeditado. Os quatro foram presos por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Ao UOL, o diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, delegado Antenor Lopes, afirmou que os envolvidos confessaram o crime e foram reconhecidos por testemunhas que presenciaram o fato. Segundo ele, os militares ainda lavaram duas vezes o carro – na tentativa  de eliminar os resquícios de sangue.

“Trata-se de um crime bárbaro, chocante. A gente lamenta que militares das Forças Armadas tenham se envolvido nisso. Eles tentaram ainda lavar o carro após a desova do corpo. Lavaram duas vezes: uma em um lava jato perto do local, em Austin, Nova Iguaçu [Baixada Fluminense] e outra na garagem do próprio distrito naval, onde os três serviam. Chegaram a usar cloro”, disse o delegado Antenor Lopes.

O que diz a Marinha

Procurada, a Marinha informou através de nota que “os militares envolvidos foram presos em flagrante pela polícia e responderão pelos seus atos perante a Justiça”. A instituição informou também que está colaborando com os órgãos responsáveis.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.

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