Marcelo Beraba foi referência de ética no jornalismo

O velório de Marcelo Beraba será nesta quarta-feira (30), das 12 às 15 horas, na capela 6 do Memorial do Carmo.

A morte do jornalista Marcelo José Beraba, de câncer no cérebro, ontem (28) , aos 74 anos, me levou de volta à redação do jornal O Globo décadas após buscar outras opções profissionais. Recordo que foi com ele que fiz a quatro mãos, na véspera do Natal de 1974, a matéria sobre o acidente de carro que matou a jovem atriz Adriana Prieto em Copacabana, uma das primeiras da minha passagem pelo Globo nos anos 70 e 80.

Foi com Beraba que eu e Tim Lopes , contínuo como eu, aprendemos jornalismo com uma geração que reunia profissionais talentosos e destemidos. Mestre Beraba nos ensinou a investigar e a produzir textos jornalísticos. Ao Marcelo Beraba, ex-seminarista em Mendes, torcedor apaixoando pelo Fluminense, portelense, zagueiro que batia um bolão no 3 de 13, nosso time de futebol, minha gratidão pela convivência, pelos ensinamentos no início da profissão e por ter me ajudado com incentivos para vencer as dificuldades do início da profissão num jornalão. Ele ajudou a transformar o Paulinho da Baixada, que era como ele me chamava carinhosamente, num jornalista que foi muito além de Nova Iguaçu.

Beraba era conhecido pelo rigor ético, pelo incentivo constante à capacitação dos profissionais e pela defesa intransigente da liberdade de imprensa. Ele acreditava que não se faz bom jornalismo sem bons jornalistas, por isso, foi defensor enfático de treinamentos e cursos nas redações que comandou.

Marcelo Beraba foi, na redação do Globo, integrante de um time de jornalistas brilhantes em todas as editorias. A saber: Hélio Contreras, Jorge Oliveira, Domingos Meireles, Marcelo Pontes, Riomar Trindade, Marco Cardona, Nílton Capareli, Luiz Eduado Rezende, Cristina Miguez, Tereza Jorge, Thaís Mendonça, Celeste Cintra, Isabel Mauad. Alexandra Bertola, Belisa Ribeiro, Regina Luniere, Ana Viana, Débora Berlinck, Patrícia Nolasco, Aroldo Machado, Nícia Maria, Ângela Romito, Aguinaldo Silva, Iran Frejat, Renan Miranda, José Augusto Ribeiro, José Gorayeb, Marcos de Castro, Lutero Mota Soares, Ricaardo Boechat, Tarcísio Baltar, Carlos Amorim, Paulo Markum, Merval Pereira, José Carlos Monteiro, Léo Schlafman, Paulo Romeu, Luiz Alberto Bitencourt, Anderson Campos, Dênis Moraes, Luís Erlanger, Heitor Quartin, Tite Lemos, Milton Temer, Sandra Cohen, Amélia Gonzales, Paulo Sérgio de Souza, César Seabra, Albeniza Garcia, entre outros da época em que a redação era comandada por Evandro Carlos de Andrade, Henrique Caban e Milton Coelho da Graça.

Beraba foi referência nos principais veículos de comunicação do país: Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e TV Globo, o idealizador e fundador da Abraji, associação responsável pela organização dos maiores congressos de jornalismo da América Latina. Além do Brasil, sua atuação ecoou em toda a América Latina, como na fundação da Conferência Latino-Americana de Jornalismo Investigativo (Colpin) e na criação do Prêmio Latino-Americano.

Casado com a jornalista Elvira Lobato, Beraba estava internado desde março deste ano no Hospital Copa D’Or, na Zona Sul da capital fluminense. Ele deixa três netos e um monte de amigos. O velório será das 12h20m às 15 horas nesta quarta-feira (30) na capela 6 do Memorial do Carmo.

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