Mangueira espera colher bons frutos com enredo sobre Jamelão, Cartola e Delegado

abril 1, 2022 /

A Mangueira vai em busca do 20º título. Este ano, a agremiação homenageará Cartola, Jamelão e Delegado. (Foto: Liesa/divulgação)

*Clébio Luiz

Para o carnaval de 2022, pode-se dizer que a Mangueira “olhou para o seu próprio umbigo” e “legislou em causa própria. É que a escola de samba irá levar apara a Marquês de Sapucaí o enredo “Angenor, José e Laurindo”, que nada mais são do que três grandes baluartes da agremiação: o cantor e compositor Cartola (Angenor de Oliveira), o cantor e puxador de samba – expressão que ele detestava – Jamelão (José Bispo Clementino dos Santos) e o mestre-sala Delegado (Hélio Laurindo da Silva). A Mangueira vai em busca do seu 20º título.

Em sua sinopse, o carnavalesco Leandro Vieira destaca que “A poesia que habita a Mangueira foi inventada por um pedreiro de pele preta batizado ANGENOR. Por usar um chapéu maltrapilho, por ironia, os amigos apelidaram Angenor com o título que ainda o acompanha na eternidade: CARTOLA”. Além de ser reverenciado pelo vozeirão, JAMELÃO teve uma infância difícil como engraxate. O terceiro baluarte é DELEGADO, mestre-sala que conseguiu muitas notas máximas para a Mangueira.

Um trecho do samba-enredo, composto por Moacyr Luz, Pedro Terra, Bruno Souza e Leandro Almeida (morreu em 29 de setembro de 2022, de câncer no pulmão, um dia depois de vencer o samba), exalta os três baluartes: “Só sei que Mangueira/é um céu estrelado/não é brincadeira estou apaixonado/a Estação Primeira relembra o passado/Valei-me Cartola, Jamelão e Delegado”.

Escola foi fundada no morro e 1928

A Estação Primeira de Mangueira teve origem no Morro da Mangueira, posteriormente bairro da Mangueira. A história da formação do morro teve início na década de 1850, quando casebres foram construído nas proximidades da Quinta da Boa Vista, na época, morada oficial da família imperial. Os casebres formavam um morro, na época chamado de Pedregulho. Em 1852, foi inaugurado, na região, o primeiro telégrafo aéreo do Brasil. A localidade, antes chamada de Pedregulho, passou a denominar-se Morro do Telégrafo. Pouco tempo depois, foi instalada na região a Fábrica de Fernandes Braga, uma indústria produtora de chapéus.

A escola costuma empolgar quem desfila e quem está ana arquibancada assistindo ao desfile(Foto: Liesa/divulgação)

Segundo a própria escola de samba, a Estação Primeira de Mangueira foi fundada no dia 28 de abril de 1928, por Cartola, Zé Espinguela, Saturnino Gonçalves, Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), Marcelino José Claudino (Maçu da Mangueira), Pedro Caim (Paquetá) e Abelardo da Bolinha. Carlos Cachaça foi reconhecido como fundador, apesar de não estar presente durante a reunião de fundação. Os participantes do Bloco dos Arengueiros se reuniram na casa de Euclides Roberto dos Santos (Seu Euclides), na Travessa Saião Lobato, número 21, no Buraco Quente, em Mangueira e fundaram o Bloco Estação Primeira de Mangueira, mais tarde, escola de samba.

O bailado do casal de mestre-sala e porta-bandeira sempre rende boas notar para a Mangueira(Foto: Liesa/divulgação)

Por sugestão de Cartola, adotaram as cores verde e rosa, do Rancho do Arrepiado, de Laranjeiras, lembrança dos carnavais de sua infância. Recebeu o nome de Estação Primeira porque a primeira parada do trem, que saía da Estação de Dom Pedro para o subúrbio, onde havia samba, era Mangueira.

Região produtora de manga

A região, onde se localizava a fábrica, era conhecida por ser uma das maiores produtoras de manga da cidade do Rio de Janeiro. Em pouco tempo, a Fábrica de Fernandes Braga recebeu o apelido de “Fábrica das Mangueiras”, e teve seu nome alterado para Fábrica de Chapéus Mangueira. A partir de 1861, começou a ser implantado na cidade do Rio o serviço de transporte ferroviário, a Estrada de Ferro Central do Brasil. Em 10 de agosto de 1889, foi inaugurada a Estação Mangueira, que recebeu este nome em referência à Fábrica de Chapéus Mangueira e à quantidade de mangueiras existentes na região.

O Morro da Mangueira serviu de abrigo e moradia para escravos alforriados e seus descendentes, que levavam para a localidade as manifestações culturais e religiosas características das nações africanas, como o candomblé e a batucada. Alguns casebres serviam de templos religiosos, como o terreiro de Tia Fé (Benedita de Oliveira), onde eram realizadas cerimônias religiosas seguidas de cantoria e batucada.

Títulos conquistados pela Mangueira

    1932 – “Sorrindo ou na floresta” –

Carnavalesco: diretoria da escola

1933 – “Uma segunda-feira no Bonfim da Bahia”. Carnavalescos: Pedro Palheta e Maçu da Mangueira

1934 – “Divina dama – República da Orgia”. Carnavalesco: diretoria da escola

1940 – “Prantos, pretos e poetas” . Carnavalesco: Sr. Armando

1949 – “Apologia aos mestres”.
Compositores: Nelson Sargento e Alfredo Português. Carnavalescos: nos registros constam que o enredo foi desenvolvido por funcionários da casa da Moeda

1950 – “Plano SALTE” – Saúde, lavoura, transporte e educação” – Compositores: Nelson Sargento e Alfredo Português). Carnavalescos: nos registros constam que o enredo foi desenvolvido por funcionários da casa da Moeda

1954 – “Rio de Janeiro de ontem e de hoje”. Compositores: Cícero dos Santos e Pelado da Mangueira. Carnavalescos: nos registros constam que o enredo foi desenvolvido por funcionários da casa da Moeda

1960 – “Carnaval de todos os tempos”. Compositores: Cícero dos Santos – Hélio Turco e Pelado. Carnavalesco: Roberto Paulino e Darque Dias Moreira

1961 – “Reminiscências do Rio antigo”. Compositores: Cícero dos Santos – Hélio Turco e Pelado. Carnavalescos: Roberto Paulino e Darque Dias Moreira

1967 – “O mundo encantado de Monteiro Lobato”. Compositores: Batista da Mangueira – Darcy da Mangueira e Luiz. Carnavalesco: Julio Mattos

1968 – “Samba, festa de um povo”. Compositores: Batista da Mangueira, Darcy da Mangueira, Dico e Hélio Turco. Carnavalesco: Julio Mattos

1973 – “Lendas do Abaeté”. Compositores: Jajá – Manuel e Preto Rico. Carnavalesco: Julio Mattos

1984 – “Yes, nós temos Braguinha” – Compositores: Arroz, Comprido, Hélio Turco – Jajá e Jurandir. Carnavalesco: Max Lopes

1986 – “Caymmi mostra ao mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”. Compositores: Ivo Meirelles – Lula e Paulinho. Carnavalesco: Julio Mattos

1987 – “No reino das palavras, o mundo encantado de Carlos Drummond de Andrade”. Compositores: Bira do Ponto – Rody e Verinha. Carnavalesco: Julio Mattos

1998 – “Chico Buarque da Mangueira”. Compositores: Carlinhos das Camisas – Nelson Csipai – Nelson Dalla Rosa e Herivaldo Martins Villas Boas). Carnavalesco: Alexandre Louzada

2002 – “Brasil com “Z” é pra cabra da peste, Brasil com “S” é nação do nordeste”. Compositores: Lequinho e Amendoim. Carnavalesco: Max Lopes

2016 – “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”. Compositores: Alemão do Cavaco – Almyr – Cadu – Lacyr de Mangueira – Pulinho Bandolim e Renan Brandão). Carnavalesco: Leandro Vieira

2019 – “História para ninar gente grande”. Compositores: Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira, Danilo Firmino, Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo. Carnavalesco: Leandro Vieira

Aloma Carvalho

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