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Lula endurece contra Flávio em São Gonçalo e diz que no Planalto não cabe miliciano

Foto Lula E Paes
Em discurso em cima de trio elétrico, presidente atacou a direita, pediu maioria aliada no Senado e relacionou adversários ao caso Master: “Eu prendi o banqueiro deles”

A dez dias do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu o discurso contra Flávio Bolsonaro (PL) e a direita durante ato eleitoral em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, nesta quinta-feira (24). Em cima de um trio elétrico, Lula pediu votos para candidatos aliados ao Senado, atacou seus adversários e fez uma das declarações mais duras da campanha presidencial: “O Palácio do Planalto não cabe miliciano lá dentro!”

O ato reuniu aliados como Eduardo Paes (PSD), candidato ao Governo do Rio, e candidatos ao Senado. A caminhada havia chegado a ser cancelada na noite anterior devido à previsão de chuva, mas foi confirmada pelo PT durante a madrugada.

Lula mira Senado e direita

Lula iniciou o discurso destacando a importância da disputa pelas vagas ao Senado. Segundo o presidente, uma maioria de oposição na Casa poderia dificultar seu governo.

“A gente não pode permitir que a direita faça maioria no Senado. Senão, eles vão transformar esse país num inferno”, afirmou. Em outro momento, acrescentou: “Se você quer coisa para beneficiar a classe trabalhadora, você não pode votar na direita.”

Ao defender seus aliados, Lula disse ainda que o eleitor não deveria escolher pessoas que, segundo ele, atuariam contra os governos federal e estadual. As declarações ocorrem em uma eleição presidencial apertada: pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta mostra Flávio com 45% e Lula com 44% em uma simulação de segundo turno.

Vorcaro entra no discurso

O caso do Banco Master também ganhou destaque. Lula atribuiu à direita a ascensão de Daniel Vorcaro e afirmou que o banqueiro acabou preso durante seu governo.

“Eles criaram um banqueiro que praticou a maior corrupção financeira nesse país. E eu prendi o banqueiro deles!”, declarou.

Na sequência, defendeu o aprofundamento das investigações. “Eu quero saber quem participava das putarias dele. Era muita coisa errada. Essa gente tem que ser investigada. A gente não pode permitir que a Suprema Corte brasileira fique sob suspeita. A verdade tem que vir a público. Tem que investigar.”

Mais cedo, durante agenda em Nova Iguaçu, Lula já havia feito referência a Vorcaro ao afirmar que “quem é amigo do presidente é o povo, não o Vorcaro”. A fala ocorreu após a divulgação de informações sobre relações entre Flávio e o ex-banqueiro.

Obras, bets e feminicídio

Lula também contrapôs investimentos de seu governo à gestão de Jair Bolsonaro e citou a construção de 11 mil moradias em São Gonçalo. “Quando eu governo um país, eu não olho o prefeito de uma cidade. Eu olho a necessidade”, afirmou.

O presidente voltou ainda a defender o fim das bets, tema que incorporou à campanha, e relacionou o crescimento das apostas ao endividamento das famílias. A posição já havia sido apresentada publicamente por Lula, embora eventuais mudanças na legislação dependam também do Congresso.

Ao abordar o combate ao feminicídio, Lula pediu participação dos homens na prevenção da violência contra as mulheres. “A mulher não foi feita para apanhar e nós não somos donos das mulheres”, declarou.

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