O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na manhã desta segunda-feira (13) com o papa Leão XIV, em uma audiência de caráter privado realizada no Vaticano. O compromisso, incluído de última hora na agenda presidencial, foi confirmado pela Santa Sé, que anunciou o cancelamento da cerimônia oficial de recepção e também do encontro previsto com jornalistas no pátio de San Damaso.
De acordo com comunicado divulgado no fim da tarde de domingo, o Vaticano classificou a audiência como “estritamente privada”, uma prática rara para encontros entre chefes de Estado e o pontífice. O encontro começou às oito da manhã — um horário incomum na rotina do papa — e durou menos de meia hora, segundo apuração do portal UOL.
Participaram da reunião, além de Lula e da primeira-dama Janja, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura, Paulo Teixeira, e o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
Diplomacia atuou nos bastidores
A realização do encontro exigiu intensa movimentação diplomática. Segundo o Itamaraty, Mauro Vieira manteve duas conversas telefônicas ao longo da última semana com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, para ajustar os detalhes e garantir a audiência.
A diplomacia brasileira considerou o gesto de Leão XIV uma demonstração de apreço pelo Brasil e de reconhecimento do papel de Lula em temas como combate à fome e mediação de conflitos internacionais. A reunião, embora breve, foi interpretada como sinal de proximidade entre o pontífice e o presidente brasileiro, que compartilham afinidades ideológicas e preocupação com as desigualdades sociais.
Compromissos com a FAO
Após o encontro, Lula participou de atividades na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), em Roma, em celebração aos 80 anos da entidade e à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. O presidente tem destacado o tema como uma das prioridades de seu governo e defende que o combate à insegurança alimentar seja tratado como compromisso internacional.
Lula e a primeira-dama estão hospedados na embaixada do Brasil em Roma, atualmente em processo de restauração. A última visita do presidente à capital italiana havia ocorrido em abril deste ano, quando participou do velório do papa Francisco.
Quarto papa no mandato de Lula
Lula se reuniu, ao longo de sua trajetória política, com quatro papas diferentes. Quando assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003, o líder da Igreja Católica era João Paulo II, que morreu em abril de 2005, após 26 anos de pontificado. Seu sucessor, Bento XVI, renunciou em 2013, durante o governo Dilma Rousseff, e faleceu em 31 de dezembro de 2022, um dia antes de Lula iniciar seu terceiro mandato.
Católico, Lula manteve relação próxima como falecido papa Francisco. Os dois já se encontraram em diversas ocasiões, incluindo uma visita do presidente ao Vaticano em junho de 2023, quando discutiram o conflito na Ucrânia. Em 2024, o pontífice também recebeu Lula durante a cúpula do G7 na Itália, reforçando o diálogo sobre paz, justiça social e o combate à fome — temas centrais nas agendas de ambos os líderes.
