O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o primeiro chefe de Estado a discursar na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, mantendo a tradição desde 1955 de o Brasil iniciar os discursos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa logo depois.
Ele iniciou a fala destacando que este é o momento mais crítico das Nações Unidas, avaliando que a ONU está falhando em uma de suas missões, “a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”.
“Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis (…) nunca foi tão pequena. Somos todos reféns de um imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, comentou.
O presidente brasileiro afirmou ainda que a guerra é a falência total da política. “No mundo interdependente, liderar é conciliar interesse da pátria com o da humanidade”, disse.
Em outro trecho, pontuou que os líderes mundiais são “chamados” atualmente a optar pelo multilateralismo e o unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação.
“Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos”, acrescentou.
Críticas ao governo de Benjamin Netanyahu e ao Hamas
Lula também abordou diretamente os conflitos no Oriente Médio, criticando o governo de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, pelo que ele classificou como genocídio na Faixa de Gaza.
Ao mesmo tempo, afirmou que “civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”.
Ele foi aplaudido ao defender o papel de Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados.
Guerra do Irã e da Ucrânia
Lula destacou que “ameaçar civilizações de extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio”.
“O Estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional”, alertou, pontuando que famílias de todo o mundo foram impactadas com o aumento dos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.
O presidente brasileiro também criticou a guerra entre Rússia e Ucrânia, comentando que não haverá vencedores no campo de batalha. “Diplomacia é a única opção”, ressaltou.
Ele também defendeu a iniciativa como o “grupo de amigos da paz”, criado por Brasil e China, para dialogar sobre o conflito.
“Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Em outro momento, Lula abordou a situação na América Latina, com o aumento das operações dos Estados Unidos na região.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos”, adicionou.
“A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, comentou.
O petista também falou sobre a Venezuela e outros países da região, pontuando que os venezuelanos merecem definir seu próprio destino e que Nicarágua “não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições”.
Ele criticou ainda o embargo econômico contra Cuba, classificando essa ação como ilegal.
Combate ao crime organizado
Lula ainda ressaltou que o Brasil quer combater a lavagem de dinheiro de criminosos realizada no exterior. Também defendeu cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado.
“Esse é o espírito da proposta que entreguei ao presidente dos Estados Unidos”, adicionou.
Também abordou a lei antifacção aprovada no Brasil, defendendo o combate à corrupção: “Ninguém está acima da lei”.
Defesa do pix
O presidente do Brasil também fez defesa do Pix durante o discurso da Assembleia Geral da ONU.
“Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”, comentou.








