O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha foi selada em uma reunião na manhã desta quinta-feira no Palácio da Alvorada.
Segundo a reportagem, Lula assinou a indicação após um processo de articulação política que se intensificou nos últimos dias. Na segunda-feira, o presidente se reuniu com o senador Rodrigo Pacheco, nome preferido pela maior parte do Senado para assumir o posto no STF. No encontro, Lula foi direto ao afirmar que Pacheco não seria o escolhido. Disse ainda que deseja vê-lo candidato ao governo de Minas Gerais em 2026 e chegou a argumentar que um mandato estadual seria “muito mais” do que uma cadeira na Suprema Corte.
Resistências no Senado
Parceiros de Pacheco e senadores de diferentes partidos vinham pressionando o Planalto a indicá-lo para o STF. Lula, porém, ressaltou a aliados que a prerrogativa de escolha é exclusiva da Presidência da República e que não abriria mão de sua decisão. A expectativa agora é de uma sabatina difícil para Messias, que enfrentará resistências na Casa.
Referência jurídica do governo
Mesmo sem ser originalmente próximo de Lula, Messias tornou-se uma das vozes mais influentes no núcleo jurídico do governo. Durante a transição, foi responsável pela redação dos decretos que reestruturaram a Esplanada dos Ministérios e definiram o orçamento de 2023. Desde então, ganhou relevância pela discrição, pela precisão técnica e pela capacidade de articular posições jurídicas em embates com o Congresso e com atores externos.
O advogado-geral ampliou seu espaço após a ida de Flávio Dino para o STF, herdando temas sensíveis que estavam sob a gestão do ex-ministro da Justiça. Messias passou a ser convocado para conversas políticas no Planalto e para aconselhar o presidente em decisões de alta complexidade. Em diversas oportunidades, Lula classificou sua atuação como firme, leal e madura.
Atuação em crises e aproximação com o STF
No governo, Messias se destacou por defender o Supremo em meio a tensões institucionais e por apoiar ministros da corte em disputas externas. Foi ele quem colocou a AGU à disposição de Alexandre de Moraes para enfrentar as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos com base na chamada Lei Magnitsky. Também coordenou a contratação de um escritório nos EUA para acompanhar os desdobramentos do caso.
Evangélico e diácono de uma congregação em Brasília, o futuro sabatinado atua como ponte entre o governo e o segmento religioso, majoritariamente ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em discursos e nas redes sociais, costuma mencionar referências bíblicas para contextualizar seu pensamento.
Se aprovado, será o terceiro evangélico na história entre os 172 ministros que já passaram pelo STF em 134 anos. O Palácio do Planalto trabalha para garantir que ele chegue ao plenário da corte ainda neste ano legislativo.
