A Justiça do Rio de Janeiro retomou nesta sexta-feira (17) o julgamento dos ex-policiais militares Pedro Emanuel D’Onofre Andrade e Otto Samuel D’Onofre Andrade, acusados de assassinar o contraventor Fernando Iggnácio. O processo, realizado no 1º Tribunal do Júri, entra na fase de alegações finais do Ministério Público e das defesas, com expectativa de que a sentença seja anunciada ainda no decorrer do dia.
Os irmãos respondem por homicídio triplamente qualificado, com agravantes de motivo torpe, emboscada e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O crime ocorreu em 10 de novembro de 2020, no estacionamento da empresa Heli-Rio, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da capital fluminense.
Durante o primeiro dia de julgamento, seis testemunhas prestaram depoimento aos jurados. Também foram exibidos vídeos com declarações de testemunhas ouvidas anteriormente na fase de instrução do processo, após elas não comparecerem ao tribunal. Os dois réus permaneceram em silêncio durante toda a audiência.
Investigação apontou planejamento do crime
Entre os depoimentos de maior destaque esteve o do delegado Moyses Santana, responsável pelas investigações na época do homicídio. Segundo ele, Pedro Emanuel realizou um voo panorâmico três dias antes da execução para reconhecer exatamente o trajeto que Fernando Iggnácio fazia entre Ilha Grande e o Rio de Janeiro.
De acordo com o delegado, o percurso reproduziu fielmente o caminho utilizado pela vítima no dia do assassinato. A investigação concluiu que a viagem serviu para estudar a rotina do contraventor e calcular o tempo necessário para a execução.
Outro ponto apresentado aos jurados foi a análise de dados telemáticos e de localização dos celulares dos acusados. Segundo a Polícia Civil, os registros indicam que os preparativos para o crime começaram meses antes da execução.
Imagens e dados reforçam acusação
O policial civil Luciano Konig afirmou que fotografias encontradas em armazenamento digital de Pedro registravam o voo de reconhecimento realizado dias antes do homicídio. As investigações também apontaram que os acusados monitoraram possíveis câmeras de segurança após o assassinato para verificar se haviam sido filmados.
A Polícia Civil informou ainda que realizou sete dias consecutivos de análise de imagens de monitoramento, acompanhando aproximadamente 45 quilômetros do trajeto percorrido pelo veículo utilizado na fuga. O trabalho permitiu identificar os envolvidos e chegar ao condomínio onde os suspeitos desembarcaram logo após o crime.
Além dos irmãos, as investigações também levaram à identificação de Rodrigo Silva das Neves, condenado anteriormente pelo homicídio, e de Ygor Rodrigues, conhecido como “Farofa”, morto em 2022 durante confronto entre criminosos.
Mandante responde em processo separado
Segundo o Ministério Público, Fernando Iggnácio foi morto a mando do contraventor Rogério Andrade, apontado como rival da vítima na disputa pelo controle da exploração do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Rogério foi preso em outubro de 2024 e responde em um processo separado. Mesmo após pedidos da defesa, ele permanece preso por decisão da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF).
O julgamento dos irmãos foi desmembrado após Rodrigo Silva das Neves ser condenado em abril deste ano a mais de 32 anos de prisão pelo assassinato. Agora, os jurados analisarão exclusivamente a responsabilidade de Pedro Emanuel e Otto Samuel pelos fatos apresentados durante o processo.
