O Supremo Tribunal Federal (STF) interroga nesta quinta-feira (24) 13 réus acusados de integrar a trama golpista que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), buscou manter Jair Bolsonaro no poder de forma irregular após as eleições de 2022.
Essa fase do processo penal ocorre após a coleta de depoimentos de testemunhas e envolve integrantes de dois núcleos da organização: o de gerenciamento de ações e o de desinformação.
Estão entre os réus o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, o ex-assessor internacional da Presidência Filipe Martins, o coronel Marcelo Câmara e o general da reserva Mário Fernandes, todos ligados diretamente ao ex-presidente.
A PGR afirma que os investigados cometeram crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Os depoimentos ocorrem por videoconferência, como parte da instrução processual.
Bolsonaro é réu no núcleo 1 da tentativa de golpe, que inclui as principais autoridades e já prestou depoimento ao STF.
Veja abaixo quem será ouvido a partir desta quinta:
Núcleo 2 – Gerenciamento de ações
De acordo com a PGR, os réus deste núcleo desempenharam papéis de coordenação em ações golpistas, como o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para dificultar o voto de eleitores do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, a elaboração de uma minuta de decreto golpista e o planejamento de assassinatos de autoridades.
Esse núcleo é formado por:
- Fernando de Sousa Oliveira, delegado da PF e ex-número dois da Segurança Pública do DF;
- Marcelo Costa Câmara, coronel da reserva e ex-assessor de Bolsonaro;
- Filipe Martins, ex-assessor internacional da Presidência no governo Bolsonaro;
- Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça;
- Mário Fernandes, general da reserva e ex-assessor da Presidência no governo Bolsonaro;
- Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF no governo Bolsonaro.
Núcleo 4 – Desinformação
Segundo a acusação, os réus do núcleo 4 espalharam notícias falsas para descredibilizar o processo eleitoral e fomentar instabilidade. Alguns também atuaram na chamada “Abin paralela”, estrutura clandestina que teria sido usada para monitorar opositores e manipular informações com fins políticos.
Compõem esse núcleo:
- Ailton Barros, ex-major do Exército;
- Ângelo Denicoli, major da reserva;
- Carlos Moretzsohn, engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal;
- Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército;
- Guilherme Marques, tenente-coronel;
- Marcelo Bormevet, policial federal e ex-integrante da Abin;
- Reginaldo de Abreu, coronel da reserva.
As audiências ocorrem por videoconferência para quem está preso, e presencialmente para os réus que estão livres.
Após os interrogatórios, a fase de alegações finais será aberta. Depois disso, os ministros do STF poderão julgar os casos, o que deve ocorrer nos próximos meses.
