O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador de inflação oficial usado pelo Banco Central para decidir os juros, subiu 0,07% em julho, a menor taxa para o mês desde 2022. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11), representa uma desaceleração em comparação à alta de 0,16% de junho e veio praticamente em linha com o esperado. O índice voltou a rodar abaixo do limite da meta do Banco Central em 12 meses.

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,44%, abaixo dos 4,64% de junho, mas maior que o previsto. Contudo, é a primeira vez desde abril que o indicador roda abaixo do limite da meta do Banco Central, que tem centro em 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, é de até 4,5%. As últimas duas leituras ficaram acima desse limite da meta: 4,72% em maio e 4,64% em julho.

A mediana de 28 projeções para a inflação coletadas pelo jornal Valor apontava para alta de 0,03% em julho. O piso das projeções era de -0,03% e o teto era de 0,20%. Assim, apesar do índice vir acima da mediana das projeções, veio dentro do intervalo das previsões. No acumulado em doze meses, o ponto médio das estimativas apontava para alta de 4,40%. As estimativas variavam entre 4,34% e 4,55%.

Como a inflação impacta os juros?
Em períodos de inflação alta, o instrumento usado pelo Banco Central para conter esse movimento é a Selic, a taxa referência para os juros da economia brasileira. Assim, o BC eleva os juros para encarecer o crédito para os consumidores e as empresas e, com isso, reduzir o consumo e desacelerar a subida dos preços.
No ambiente contrário, quando a inflação está controlada, o Banco Central pode abaixar os juros, ou seja, baratear o dinheiro, para estimular a volta do consumo sem comprometer tanto o orçamento. Dessa forma, a economia se fortalece novamente.
Uma guerra no meio do caminho…
No atual cenário, a guerra entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a disparada do petróleo, o que gerou um alerta inflacionário no mundo todo. Como o petróleo é essencial para combustíveis e para o transporte de todos os produtos, quando o barril fica mais caro, empresas passam a gastar mais com gasolina, diesel e energia, elevando os custos de produção. Ou seja: mais inflação.
Os preços do patróleo ainda estão elevados perto do que era negociado antes do conflito iniciar, o que é um ponto de atenção. Economistas estão monitorando os impactos da guerra ainda. Assim, o cenário segue nebuloso.
Qual é o cenário agora?
Na semana passada, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros de 14,25% para 14% ao ano. Devido às incertezas, a autoridade monetária não sinalizou os seus próximos passos.
Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada hoje, o colegiado listou quatro riscos de alta para a inflação e três riscos de baixa. Além disso, afirmou que “monitora com atenção” as expectativas de inflação para prazos mais longos e disse que a inflação desacelerou, mas continua acima do limite da meta.
Assim, investidores acompanham a composição do IPCA à procura de sinais de melhora na inflação dos itens mais resistentes aos juros altos, para avaliar a intensidade e o ritmo dos próximos cortes da Selic. O próximo encontro do Copom acontece no mês de setembro e a expectativa da maioria do mercado é de uma redução da Selic de 0,25 ponto percentual, para 13,25% ao ano, aponta o Termômetro do Copom.









