Oito milicianos armados e encapuzados invadiram o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na madrugada desta quinta-feira (18), para matar um paciente ali internado e apontado pela polícia como testemunha de crimes.
Oito homens armados invadiram o centro cirúrgico de um hospital público no Rio de Janeiro para tentar capturar um paciente que estava internado, na madrugada desta quinta-feira (18). O grupo era formado por milicianos que tinham um rival como alvo, segundo relatos colhidos pela… pic.twitter.com/UlM7GXf8UN
— Folha de S.Paulo (@folha) September 18, 2025
O homem, de 31 anos, tinha sido alvo de uma emboscada na tarde de quarta-feira (17) e levou 9 tiros. Os criminosos também invadiram e destruíram a casa dele.
O alvo escapou e buscou ajuda médica. Vizinhos o levaram ao Pedro II.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, por volta das 2h30 o grupo rendeu os seguranças no estacionamento do hospital e seguiu até o centro cirúrgico, mas o homem já tinha sido transferido para a enfermaria, aonde o bando não foi.
Um dos invasores usava um uniforme da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), da Polícia Civil do RJ. Segundo a Draco, o uniforme usado pelo criminoso é falso.
A Polícia Militar foi acionada e reforçou a segurança no hospital.
Secretário: ‘Completo terror’
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, informou que a invasão afetou o atendimento da unidade. “Foi uma situação completamente absurda, uma falta de respeito com os outros pacientes, com os profissionais de saúde, colocando toda a unidade de saúde em risco”, declarou.
Ainda segundo Soranz, na hora da invasão “pacientes graves eram atendidos no CTI e no próprio centro cirúrgico”. “Profissionais que faziam os transportes dos exames de sangue, das bolsas de sangue, foram impedidos. Uma situação muito grave, uma cena de completo terror.”
“É uma situação que está acontecendo cada vez mais, de forma mais frequente. Este ano, tivemos que suspender o funcionamento de unidades 516 vezes por motivos de segurança, por invasão ou por risco. O número só aumentou nos últimos anos e não há respeito em relação às unidades de saúde. A polícia vem perdendo território cada vez mais e os prejuízos para operações aumentam a cada dia”, afirmou Soranz.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio nega que mais de 500 unidades de saúde tenham interrompido o funcionamento por causa da insegurança.
“O secretário Soranz é um mentiroso ao falar que a segurança pública do Rio de Janeiro está um caos. Ele dizer ao vivo que existem 516 ocorrências envolvendo hospitais em segurança pública, isso é uma mentira. Hoje nós temos nem 20% de ocorrências envolvendo hospitais e unidades do município”, disse Vitor Santos.
