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Herpes-zóster: Uma em cada três pessoas pode ter; vacinação é indicada a partir dos 50 anos

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Com o envelhecimento da população, médicos alertam para o risco de complicações da doença, que pode afetar olhos, sistema nervoso e, em alguns casos, estar associada a eventos cardiovasculares

Com o avanço da idade, o sistema imunológico passa por mudanças naturais que favorecem o aparecimento de algumas doenças. Entre elas está o herpes-zóster, infecção causada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Embora seja mais conhecido pelas lesões dolorosas na pele, o quadro pode provocar complicações que vão além da infecção cutânea, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

O tema ganha relevância em um cenário de envelhecimento da população brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pessoas com 60 anos ou mais já representam 15,6% da população do país. Como o herpes-zóster é mais frequente nessa faixa etária, cresce também a preocupação com seus impactos na saúde.

“O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo que provoca a catapora. Após a infecção inicial, ele permanece no organismo e pode voltar a se manifestar anos ou até décadas depois, principalmente em pessoas mais velhas ou com redução da imunidade”, explica a infectologista Dra. Luísa Chebabo, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa.

De acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, cerca de uma em cada três pessoas desenvolverá herpes-zóster ao longo da vida. Os primeiros sinais costumam incluir dor, ardência, coceira ou formigamento em uma região específica do corpo. Em seguida, surgem pequenas bolhas agrupadas, geralmente distribuídas em faixa e restritas a um dos lados do corpo.

Mais do que uma doença de pele

Embora a maioria dos pacientes se recupere sem sequelas importantes, o herpes-zóster pode atingir outras estruturas do organismo. Dependendo da área afetada, a infecção pode comprometer os olhos, provocar alterações neurológicas e exigir acompanhamento especializado.

Nos últimos anos, estudos também passaram a investigar uma possível relação entre a doença e o aumento temporário do risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente nos meses seguintes ao episódio de herpes-zóster.

Uma pesquisa publicada no Journal of the American College of Cardiology (JACC), que acompanhou mais de 500 mil pacientes, observou que esse risco é maior logo após a infecção e diminui gradualmente ao longo do tempo, permanecendo elevado durante o primeiro ano. Os especialistas, no entanto, ressaltam que novos estudos ainda são necessários para esclarecer essa associação.

“A prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir o risco de doenças cardiovasculares. Manter hábitos saudáveis e realizar avaliações periódicas permite identificar alterações precocemente e adotar medidas antes que problemas mais graves se desenvolvam. Exames laboratoriais, eletrocardiograma, MAPA e outros exames cardiológicos podem ser indicados pelo médico de acordo com a idade, histórico de saúde e fatores de risco de cada paciente”, afirma a cardiologista Dra. Luciana Neiva, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, também integrante da Dasa.

Vacinação reduz o risco de complicações

Segundo especialistas, a vacinação é hoje a principal forma de prevenção contra o herpes-zóster. Além de reduzir a probabilidade de desenvolver a doença, ela também diminui o risco de complicações, como a neuralgia pós-herpética, condição caracterizada pela persistência da dor mesmo após o desaparecimento das lesões.

“Além de reduzir o risco de desenvolver a doença, a vacina ajuda a prevenir complicações que podem comprometer a qualidade de vida, como a neuralgia pós-herpética”, destaca a Dra. Luísa Chebabo.

A vacinação é recomendada para adultos a partir dos 50 anos, mas a indicação deve ser feita pelo médico, considerando fatores como idade, histórico de saúde e condições clínicas de cada paciente.

“Quanto mais cedo pensamos em prevenção, menor é o risco de desenvolver a doença e suas complicações”, orienta a infectologista.

Conhecer os fatores de risco, buscar atendimento médico diante dos primeiros sintomas e manter a vacinação em dia são medidas que contribuem para um envelhecimento mais saudável e reduzem a chance de complicações decorrentes da doença.

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