Quatro pessoas foram encontradas mortas após a queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, na manhã deste sábado (8). O Corpo de Bombeiros, foi acionado às 11h11 e localizou a aeronave em uma área de mata de difícil acesso, confirmou quatro vítimas fatais, todas carbonizadas. As vítimas são o piloto da aeronave Alessandro Rocha e três turistas colombianas: Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique. O helicóptero é um Robinson R44, operado pela Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos Ltda. Na aeronave havia uma câmera acoplada usada para filmar o passeio panorâmico e pode ter flagrado o que aconteceu. O equipamento foi recuperado e será periciado.
Quem são as vítimas:
- Alessandro Rocha, piloto;
- Rocio Cubillos, de 59 anos, turista colombiana e avó de Sofia;
- Sofia Murillo, de 17 anos, turista colombiana;
- Wendy Manrique, de 37 anos, turista colombiana e mãe de Sofia.
As turistas mortas no acidente eram de uma mesma família de seis colombianos que chegaram ao Rio na última segunda-feira e planejavam ficar até a próxima terça-feira. Eles contrataram um pacote turístico para um sobrevoo pela cidade no valor de R$ 4,4 mil.
O grupo, no entanto, se dividiu em dois para fazer o passeio. As três vítimas decolaram por volta das 10h 40 enquanto o restante da família permaneceu em solo aguardando a aeronave retornar.
Victor Manrique, filho, tio e irmão das vítimas, contou que chegou a trocar mensagens com os parentes enquanto aguardava o retorno do helicóptero com a irmã quando ela parou de responder. Ele contou que ouviu funcionários de que o piloto precisava fazer um pouso de emergência. Depois de uma hora soube da morte dos parentes por sites de notícia e confirmou ao abordar jornalistas brasileiros que estavam no aeroporto.
A família chegou ao Rio para comemorar o aniversário de 15 anos de uma sobrinha de Victor que estava no segundo grupo e embarcaria no retorno da aeronave. Eles selecionaram a empresa pelas redes sociais e contrataram a empresa por aplicativo de mensagens.
O helicóptero era pilotado por Alessandro Rocha, que tinha 20 anos de experiência como instrutor de ultraleves e helicópteros. Ele também morreu no acidente. Nas redes sociais, Alessandro se apresentava como comandante e destacava sua experiência de duas décadas na aviação. Ele também publicava registros ligados à rotina de voos e à atividade como piloto. Casado e pai, fazia referências à família e à fé em seu perfil. O piloto havia sido batizado na Igreja de Nova Vida de Olaria, na Zona Norte do Rio e em seu perfil, Rocha se definia como “temente a Deus”.
Corpos são retirados por tirolesa
A decolagem foi feita a partir do Aeroporto de Jacarepaguá. Após a queda, o helicóptero foi localizado por uma equipe do Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros. Equipes especializadas em salvamento, operações aéreas e combate a incêndios florestais aturam na ocorrência.
A retirada dos corpos foi feita por uma trilha localizada no Parque da Cidade, segundo informações do ICMBio. O acesso era considerado mais viável para a operação do Corpo de Bombeiros por ficar em um trecho de descida e mais próximo do local onde ocorreu a queda do helicóptero. Apesar de a trilha ser mais estreita, a proximidade com o ponto do acidente deve facilitar o trabalho das equipes. Os corpos foram içados e colocados em uma tirolesa para descer e foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). A Polícia Civil já realizou a perícia de local.
Segundo o registro exibido da Anac, o helicóptero estava em situação normal, e tinha certificado de aeronavegabilidade válido até 5 de junho de 2027. A aeronave, de operação privada, estava autorizada a realizar voos panorâmicos. Na foto, o helicóptero aparece com a identificação visual da empresa VRP — Voos Rio Panorâmico.
Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), da Força Aérea Brasileira, agentes do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos do Rio foram acionados e investigam a ocorrência. Ainda não há detalhes sobre o que causou o acidente.
O prefeito Eduardo Cavaliere esteve no local do acidente e falou que cobrou uma posição da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ele mencionou a possibilidade de suspensão dos voos panorâmicos na cidade.
— Isso não pode ser considerado normal. Fiz questão de ligar para o presidente da Anac e encaminhamos imediatamente um comunicado da Prefeitura do Rio para que tome providências em relação aos voos no Rio de Janeiro. A Anac vai precisar tomar uma decisão e se posicionar. Pode ser, inclusive, com a possibilidade de suspensão dos voos panorâmicos por uma semana, duas semanas ou pelo período que seja necessário para fazer uma fiscalização mais intensa nos helipontos, nas aeronaves e na manutenção — disse.
Em nota, a Anac lamentou o acidente e diz que “está em contato com a prefeitura do Rio de Janeiro, para uma atuação conjunta na fiscalização especialmente de voos panorâmicos”.
A operação mobilizou cerca de 40 militares, 11 viaturas e equipes de quatro unidades operacionais do Corpo de Bombeiros: o 1º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente, no Alto da Boa Vista; o Grupamento Operacional do Comando-Geral, no Centro; o Grupamento de Operações Aéreas; e o 11º Grupamento de Bombeiro Militar, em Vila Isabel.
O ICMBio informa que, neste momento, para dar apoio ao trabalho do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, está fechado um pequeno e restrito trecho da Estrada da Vista Chinesa, em frente ao pagode chinês da Vista Chinesa. A Vista Chinesa fica dentro do Parque Nacional da Tijuca. Também para dar apoio e garantir a segurança do trabalho dos Bombeiros, foram temporariamente interditadas as trilhas no entorno da Vista Chinesa. Agentes ambientais do parque dão apoio ao trabalho da corporação.
Conhecida por receber diariamente turistas, ciclistas e praticantes de trilhas, a Vista Chinesa teve a rotina alterada neste sábado. O acesso às trilhas foi interditado, e o espaço passou a ser ocupado por equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar e da CET-Rio. Há uma pequena movimentação de pedestres que já estavam na região antes do acidente, mas a entrada de novos visitantes está restrita. Segundo agentes da CET-Rio, a guarita do parque permite, neste momento, apenas a subida de viaturas e profissionais da imprensa.
A Associação dos Operadores Turísticos de Helicópteros do Rio (Aotherj), da qual a empresa Voos Rio Panorâmico faz parte, lamentou o acidente e manifestou solidariedade às famílias das vítimas.
Ela afirmou também que a apuração das causas cabe às autoridades competentes, como CENIPA e ANAC, e que não é responsável por investigar acidentes ou fiscalizar os procedimentos de segurança das empresas associadas.
A atuação da entidade, segundo explicou em nota, é promover medidas de mitigação dos impactos sonoros de operações aéreas e aprimorar as boas práticas operacionais.
Com informações do O Globo
