Vice-campeã no ano passado com 269,5 pontos (a campeã foi a Beija-Flor, com 270), a Grande Rio levará este ano para a Marquês de Sapucaí o enredo “A Nação do Mangue”, do carnavalesco Antonio Gonzaga, que contará a história do movimento Manguebeat, idealizado pelo cantor Chico Science (Francisco de Assis França Caldas Brandão), líder da banda Nação Zumbi, que morreu aos 31 anos, vítima de acidente de carro. A Grande Rio é a segunda escola a desfilar na terça – feira de carnaval (17-02).
Das tradições culturais a modernos arranjos

De acordo com o enredo, o manifesto lançado pelos “Caranguejos com Cérebro”, nos anos de 1990, continua atual. O carnavalesco faz uma interligação entre os mangues de Recife e os de Caxias, notadamente no Jardim Gramacho.
“Tal como o próprio mangue, responsável pela troca entre as águas doces e salgadas, entre as espécies marinhas e terrestres, o Manguebeat realiza a troca, a mistura, o encontro de múltiplas influências (e afluências). Das tradições da cultura local aos mais modernos arranjos e tecnologias da música global. Sob a liderança breve, mas decisiva, de Chico Science, consagrado como o poeta-caranguejo, os mangueboys e as manguegirls irromperam fronteiras políticas e geográficas. Inspiraram artistas de todo o país e do mundo. Fundaram suas próprias nações. E motivam, hoje, o nosso carnaval”, descreve o carnavalesco em um trecho do enredo.
Manguebeat reúne diversos gêneros musicais
Movimento de contracultura brasileiro, o manguebeat surgiu em 1991, destacando-se em Recife, unindo diversos gêneros musicais como maracatu, rock, hip-hop, música eletrônica e funk. O movimento preza pela valorização das culturas regionais e nordestinas, criticando ainda as condições de vida da população e o estado de conservação do manguezal. Seu símbolo é o caranguejo, animal típico dos mangues. Fred Zero Quatro e Chico Science & Nação Zumbi foram os principais expoentes do movimento.
Na verdade, o termo “manguebit” surgiu em 1992 como nome de um faixa musical lançada pela banda “Mundo Livre S/A, de Fred Zero Quatro. A música foi composta como resposta a “Manguetown”, de Chico Science & Nação Zumbi. O objetivo era causar confusão entre os termos manguebeat e manguebit.
Aprenda a cantar o samba da Grande Rio
Autores: Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni, Marcelo Moraes e Guga Martins
Intérprete: Evandro Malandro
Carnavalesco: Antonio Gonzaga
Eu sou do mangue, filho da periferia
Sobre uma palafita Grande Rio anunciou
Ponta de lança é Daruê
Dobra o gonguê… a revolução já começou!
Lá vem caboclo, herdeiro de Zumbi
A nação está aqui, não se curva ao poder
Escute, nossa gente vem da lama
Resistência que inflama
Quando toca o xequerê
Casa de gueto! Casa de gueto!
Nossa voz que não se cala
Batuque sem medo, por direito
É o toque das alfaias
Eu também sou caranguejo
À beira do igarapé
Gabiru trabalha cedo,
Cata o lixo da maré
“Manamauê”, maracatu
Saluba, ê, Nanã Yabá
A vida parecida com as águas
Não é doce como o rio
Nem salgada feito o mar
A margem já subiu para a cidade
Entre tronco e cipó
Rebeldia dá um nó… pensamento popular
Gramacho encontrou Capibaribe
Num mundo livre, quero ver você cantar
Freire, ensine um país analfabeto
Que não entendeu o manifesto
Da consciência social
Chico, Manguebeat tá na rua
Caxias comprou a luta e transforma em carnaval
Observação: As fotos de caranguejo e maracatu saíram invertidas