Entre os apoiadores de Jair Bolsonaro , 30% defendem que ele indique Michelle como candidata, 24 % preferem Tarcísio, 7% citam Eduardo Bolsonaro e 4% Flávio Bolsonaro.
A 10ª pesquisa nacional do Instituto Gerp sobre as Eleições Presidenciais de 2026 confirma um cenário de polarização consolidada, mas com novos movimentos internos no campo conservador. O levantamento, realizado entre os dias 1º e 5 de novembro de 2025, mostra Jair Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em situação de empate técnico no segundo turno.
Jair Bolsonaro está condenado a 27 anos de prisão, em regime fechado, pelo Supremo Tribunal Federal, por tentativa de liderar um golpe para impedir a posse de Lula. Portanto, o ex-presidente está inelegível.
A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95,55%.
Renovação no campo conservador
Os principais destaques desta rodada vêm da direita, que mostra sinais claros de renovação de liderança. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surgem como herdeiros naturais do bolsonarismo, com perfis distintos e complementares.
Michelle alcança 30% das intenções de voto no primeiro turno e empata tecnicamente com Lula no segundo turno, por 47% a 44%. Tarcísio registra 21% contra Lula (33%) no primeiro turno e também empata no segundo, com 44% a 43%. Já Bolsonaro mantém o maior índice de lembrança e preferência, reforçando sua posição como epicentro simbólico da direita. Nos cenários de segundo turno, o equilíbrio persiste: • Bolsonaro x Lula: 47% a 42% • Michelle x Lula: 47% a 44% • Tarcísio x Lula: 44% a 43% Em todos os casos, o campo conservador aparece numericamente à frente, enquanto o petismo mantém base sólida — especialmente no Nordeste e entre eleitores de baixa renda.
Forças e perfis distintos
Os dados mostram Tarcísio consolidado como o nome da gestão técnica e
eficiência administrativa, com maior apelo junto à classe média e eleitores
urbanos, enquanto Michelle representa o elo emocional e religioso do
Bolsonarismo, com forte apoio entre mulheres e evangélicos.
“Bolsonaro continua sendo o epicentro simbólico da política brasileira, mas o
campo da direita já reconhece alternativas consistentes.Tarcísio e Michelle dividem o mesmo eleitorado, mas com linguagens distintas —ele, a da eficiência; ela, a da fé e da identificação popular”, analisa Gabriel Pazos,
Presidente do Instituto Gerp.
A força de Bolsonaro e o poder de transferência
Mesmo condenado, Jair Bolsonaro segue como principal referência da direita e o único a vencer o Lula no segundo turno (47 % x 42 % )
Entre seus apoiadores, 30% defendem que ele indique Michelle como candidata,
24% preferem Tarcísio, 7% citam Eduardo Bolsonaro e 4% Flávio Bolsonaro.
Preferência dos eleitores bolsonaristas:
- Michelle Bolsonaro – 30%
- Tarcísio de Freitas – 24%
- Eduardo Bolsonaro – 7%
- Flávio Bolsonaro – 4%
- Nenhum deles – 25%
- Não sabe / Não respondeu – 9%
Cenário governista: sucessão indefinida
No campo governista, a pesquisa mostra fragmentação e ausência de um sucessor natural. Caso Lula não dispute a reeleição, o eleitorado se divide entre Geraldo Alckmin (24%) e Fernando Haddad (23%), seguidos por Flávio Dino (9%) e Camilo Santana (5%). • Geraldo Alckmin – 24% • Fernando Haddad – 23% • Flávio Dino – 9% • Camilo Santana – 5%
Nenhum deles – 26% • Não sabe / Não respondeu – 12%
O resultado indica que o lulismo mantém base sólida, mas enfrenta dificuldades em transferir votos para outro nome sem o carisma pessoal do presidente.
Outros nomes ganham visibilidade regional. O governador Ratinho Jr. (PSD-PR) chega a 30% no Sul em cenários específicos, enquanto Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO) mantêm força em seus estados.
Esses movimentos ampliam o leque de possibilidades para uma eventual recomposição do centro político. Tarcísio: mais aprovação que ambição presidencial Apesar da competitividade nacional, a maioria dos eleitores (52%) prefere que Tarcísio permaneça à frente do governo de São Paulo, enquanto 20% gostariam que disputasse a Presidência. Outros 28% não souberam responder. “É um sinal de aprovação, não de rejeição. O público entende que ele ainda está consolidando sua liderança”, observa Gabriel Pazos.
Avaliação do goverrno Lula melhora
A pesquisa também registrou melhora na avaliação do governo federal: a aprovação de Lula subiu de 38% para 42%, enquanto a desaprovação caiu de 53% para 49%. Outros 9% não souberam ou preferiram não opinar. O avanço é mais forte entre mulheres, eleitores de baixa renda e nordestinos — principais bases do petismo. “Há sinais de recuperação da confiança, especialmente nas faixas populares e entre beneficiários de programas sociais”, analisa Pazos.
Tendência geral
De modo geral, o levantamento indica que o antipetismo perdeu intensidade, enquanto o antibolsonarismo se estabilizou. O resultado reforça um cenário de disputa entre blocos bem definidos, com menos ideologia, dá espaço para mais pragmatismo. Segundo o Instituto Gerp, a eleição de 2026 tende a repetir a lógica das anteriores, mas com novos rostos, discursos distintos e rearranjos dentro dos mesmos campos políticos.









