Uma pesquisa da Quaest para a Genial Investimentos, entre os dias 6 e 9 de março de 2026, revela divisão entre os brasileiros sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e aponta repercussões do escândalo envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Como resultado, 49% dizem não confiar no Supremo, enquanto 43% confiam na Corte.
O levantamento foi feito com 2.004 entrevistas presenciais em 120 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O público-alvo incluiu brasileiros com 16 anos ou mais.
A amostragem foi probabilística em três estágios — municípios, setores censitários e domicílios — com cotas de controle por região, sexo, idade, renda e escolaridade. Os dados foram calibrados com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da PNAD e do Censo 2022.
A confiança varia de acordo com a região do país. No Nordeste, 51% dizem confiar na Corte. No Sudeste, esse índice é de 44%, enquanto no Sul cai para 38%. No Centro-Oeste e no Norte, o percentual é de 46%.
Entre os entrevistados com renda entre dois e cinco salários mínimos, 52% dizem confiar no Supremo. Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, o índice cai para 42%.
Percepção sobre poder do Supremo
A pesquisa também mostra uma percepção majoritária de que o STF concentra poder excessivo. Para 72% dos entrevistados, a Corte tem mais poder do que deveria.
Além disso, 66% consideram importante votar em candidatos ao Senado comprometidos com a possibilidade de impeachment de ministros do STF.
Outro dado do levantamento aponta que 59% veem o Supremo como aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, 51% afirmam que o tribunal teve papel importante para manter a democracia.
Diferenças políticas
As opiniões variam significativamente de acordo com a identificação política dos entrevistados.
Entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 77% dizem confiar no STF. Já entre eleitores identificados com o presidente Lula, apenas 21% demonstram confiança na Corte. Entre entrevistados que se identificam com a esquerda, 82% afirmam não confiar no tribunal, enquanto 74% dos independentes dizem confiar.
Escândalo do Banco Master
A pesquisa também avaliou o impacto da prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ocorrida na semana anterior ao levantamento.
Segundo os dados, 38% dos entrevistados afirmaram ter ouvido falar do caso. Desse total, 29% disseram já conhecer a informação, enquanto 20% afirmaram ter tomado conhecimento no momento da entrevista. Outros 13% disseram não saber do episódio.
Questionados sobre o impacto eleitoral de escândalos, 49% afirmaram que evitariam votar em candidatos envolvidos em casos semelhantes. Outros 23% disseram que considerariam o tema na decisão de voto, enquanto 28% afirmaram que não levariam esse tipo de situação em conta.
Perfil da amostra
A amostra da pesquisa reflete a diversidade demográfica da população brasileira. Do total de entrevistados, 53% são mulheres e 47% homens.
Em relação à idade, 31% têm entre 16 e 34 anos, 46% entre 35 e 59 anos e 23% têm 60 anos ou mais.
Quanto à escolaridade, 42% possuem ensino fundamental, 39% ensino médio e 19% ensino superior. Em termos de renda, 22% são beneficiários de programas sociais e 78% não recebem benefícios.
Regionalmente, 41% dos entrevistados vivem no Sudeste, 27% no Nordeste, 15% no Sul, 9% no Norte e 8% no Centro-Oeste.
No recorte por cor ou raça, 45% se declaram pardos, 43% brancos e 11% pretos. Em relação à religião, 48% se identificam como católicos, 28% evangélicos, 8% pertencem a outras religiões e 16% dizem não ter religião.
Divulgação dos dados
A Quaest informa que os relatórios completos da pesquisa estão disponíveis publicamente em seu site.
A consultoria também ressalta que os dados representam estimativas baseadas em metodologia estatística e são válidos para a data de divulgação do levantamento, seguindo princípios éticos e a legislação de proteção de dados (LGPD).








