Fundado por ex-atacante do Flamengo, Cuiabá vai disputar a Série A do Campeonato Brasileiro

março 1, 2021 /

*Clébio Luiz

 

O que o caçula da Série A do Brasileirão – 2021, o Cuiabá Esporte Clube, tem a ver com o Flamengo? Não são as cores (verde e amarelo). É que o clube surgiu na cidade de Cuiabá (Mato Grosso) em 12 de dezembro de 2001 fundado por Luís Carlos Tóffolli, o lendário atacante Gaúcho, campeão diversas vezes pelo Flamengo. O jogador morreu em 2016, aos 52 anos, vítima de um câncer na próstata. O Cuiabá conseguiu o acesso para a primeira divisão de 2021 ao ficar em quarto lugar, com 61 pontos. Foram 38 jogos, 20 vitórias, 13 empates, 5 derrotas, 42 gols marcados e 21 sofridos.

O time superou adversários tradicionais como a Ponte Preta, Vitória e Náutico, por exemplo. Um dos trunfos do Cuiabá para a Série A é o artilheiro Élton, que já atuou por grandes equipes como Vasco e Flamengo, por exemplo. Em novembro de 2020, o técnico Marcelo Chamusca deixou o Cuiabá e foi para o Fortaleza. O Cuiabá contratou Allan Aal, do Paraná, que continuou o trabalho.

A tarefa do Cuiabá será de peso, pois há mais de 35 anos o Mato Grosso (inclui-se também o Mato Grosso do Sul) não tem um time na primeira divisão nacional. Clubes como o Mixto, Dom Bosco e Operário disputavam o Brasileiro no final da década de 70 e início da de 80, pois na época do regime militar, a competição era organizada com 60, 70 ou mais clubes. Reza a lenda que o lema dos militares era: “onde a Arena (partido do governo) vai mal, mais um clube no Nacional”.

Clube era apenas um centro de treinamento

Fundado para ser um centro de treinamento chamado de “Escolinha do Gaúcho”, em alusão ao ex-atacante rubro-negro, o Cuiabá até fim de 2002 disputou campeonatos amadores do Mato Grosso. Em 2003 se profissionalizou e estreou no campeonato mato-grossense, tornando-se bicampeão em 2003 e 2004.

A equipe do Cuiabá conseguiu o quarto lugar na Série B e conquistou a vaga na primeira divisão do Brasileirão / Foto: Divulgação

O artilheiro Élton, que já passou por diversos clubes, é um dos destaques do Cuiabá para a Série A / Foto: Divilgação

O clube foi progredindo e conseguiu uma vaga na Série C do Campeonato Brasileiro, em 2003. A equipe foi eliminada pelo Palmas – TO, nos pênaltis. No ano seguinte saiu da competição de novo na segunda fase. Desta vez, a derrota foi para o Gama – DF.

Os anos de 2007 e 2008 foram turbulentos para o Cuiabá. O time ficou licenciado por causa de fatores financeiros. Neste mesmo período, Gaúcho e os irmãos Neponuceno e mais dois sócios rompem a parceria.

Em 2009, o clube retornou suas atividades depois de ter sido adquirido pelo grupo Dresch. Neste mesmo ano disputou a Copa Mato Grosso e a segunda divisão do campeonato mato-grossense. Sagrou-se campeão e retornou ao campeonato estadual.

Embalado pelas campanhas anteriores, em 2011 o Cuiabá foi campeão estadual e participou da Série D do campeonato Brasileiro, ficando em terceiro lugar, galgando assim a Série C, ficando até 2018.

Organização e muitas conquistas

Animado pelos bons resultados, o ano de 2018 trouxe bons fluidos ao Cuiabá, que conquistou seu oitavo título mato-grossense e foi vice-campeão da Série C, conquistando o acesso para a Segunda Divisão do futebol brasileiro.

Em 2019, o Cuiabá conquistou seu nono título estadual e fez sua estreia na Série B do Brasileirão. No segundo semestre, o clube ainda conquistou a Copa Verde pela segunda vez, o que lhe garantiu uma vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2020. Na Série B, a equipe até tentou subir, mas mesmo com uma boa campanha, ficou em oitavo lugar.

No ano passado, o Cuiabá fez uma boa campanha na Copa do Brasil, mas foi eliminado nas quartas de finais pelo Grêmio. Mas a equipe teve a recompensa na Série B, pois mesmo sendo derrotada por 3×1 pelo Sampaio Corrêa, na Arena Pantanal, o Cuiabá se classificou para a elite do futebol brasileiro.

Durante a memorável campanha da Série B, que deu acesso à Série A, o Cuiabá utilizou os seguintes jogadores:

Goleiros – Fernando Caixeta, João Carlos, Matheus Nogueira e Rafael Bretas.

Defensores: Anderson Conceição, Eduardo Kunde, Luiz Gustavo, Walber, Lenon, Lucas Ramon, Alexandre Melo, Athirson, Lucas Hernández e Romário.

Meio-campistas – Auremir, Gabriel Pierini, Jean Patrick, Rafael Gava, Diego Jardel, Élvis, Nenê Bonilha e Perdigão.

Atacantes – Elton, Gabriel Silva, Jenison, Mateus Brum, Pop, Yago.

 

*Clébio Luiz é jornalista

Aloma Carvalho