A Baixada Fluminense, com 12 cidades e 30% do eleitorado do estado, poderá eleger um governador para chamar de seu nas eleições suplementares deste ano no Rio de Janeiro com a renúncia de Cláudio Castro. Trata-se do nilopolitano André Ceciliano.
Prefeito duas vezes de Paracambi, Secretário de Governo em Nova Iguaçu, Presidente da Alerj por dois mandatos e nomeado Secretário de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) no governo Lula em 2023, sendo uma figura-chave na articulação com municípios e estados, Ceciliano, reconhecido por perfil municipalista e diálogo com diferentes espectros políticos, deixou o cargo em março deste ano para disputar o mandato-tampão no Rio de Janeiro.
Ceciliano faz política além do PT. Ele é próximo de Lula e tem alianças com lideranças de todos os partidos. Certa vez, o ex-governador Francisco Dornelles (PP) saiu em defesa de Ceciliano. Em conversa com o jornalista Paulo Cappelli, à época do GLOBO, disse , em janeiro de 2019, que, quando governou o Rio, recebeu “todo o apoio necessário” de Ceciliano, presidente em exercício da Alerj na ocasião.
— Ceciliano ajudou imensamente o Poder Executivo durante o período em que estive como governador, inclusive com projetos que beneficiarão o governo Witzel. Ele conseguiu coordenar a aprovação de matérias extremamente importantes para as finanças do estado, como o Fundo de Combate à Pobreza, a prorrogação do estado de calamidade e o orçamento de 2019.
Indagado sobre as críticas que aliados de Bolsonaro faziam ao então governador Witzel pela proximidade com Ceciliano, um petista, Dornelles não se esquivou:
— Se todo petista fosse igual ao Ceciliano, até me filiaria ao PT.
Tendência pelo mandato-tampão
O nome de André Ceciliano voltou a ganhar força com a tendência de eleições indiretas para escolha, pela ALERJ, do governador para um mandato-tampão. Ele se fortalece ainda mais se o voto for secreto porque os deputados estaduais ficariam distantes de pressões , além de seu nome ser bem recebido pelos prefeitos de todas as regiões do estado. No STF, os ministros Luiz Fux, Nuno Marques e André Mendonça já se manifestaram pela eleição do futuro governador para um mandato-tampão. Cármem Lúcia demonstrou , hoje, nítida tendência a convalidar a decisão do TSE favorável às eleições indiretas.
Na defesa das eleições diretas estão Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. O voto do ministro Flávio Dino virou uma incógnita depois que ele pediu vistas e adiou o julgamento. Edson Fachin e Dias Toffoli ainda não se manifestaram.





