Força-tarefa já ouviu 39 testemunhas de operação policial no Jacarezinho

setembro 3, 2021 /

Em audiência das comissões de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania e de Segurança Pública, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o Ministério Público Estadual (MPRJ) informou que já ouviu 39 testemunhas da operação policial na comunidade do Jacarezinho, ocorrida no dia 06/05, e que resultou em 28 mortes. O coordenador de Segurança Pública do MPRJ, Reinaldo Lomba, que integra a força-tarefa que investiga o caso, ressaltou a dificuldade do grupo nessa escuta e destacou que parte da apuração é sigilosa.

“Já realizamos cem buscas ativas para localizar testemunhas e informantes. Porém, o acesso não está sendo fácil, é nossa grande dificuldade. Firmamos um termo de cooperação com a Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo para auxílio nas perícias técnicas”, contou o promotor.

Membro do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado (DPERJ), o defensor Fábio Amado acredita que a principal razão da dificuldade é o medo. “Temos trabalhado muito com as testemunhas, mas elas têm muito medo”, declarou.

Fábio falou sobre o direito a uma segurança pública em que haja preservação da vida e trouxe a informação de que a cada cem homicídios, apenas 3,5 obtiveram uma sentença judicial, de acordo com pesquisa realizada pelo MPRJ entre 2015 e 2019.

Para a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania, deputada Dani Monteiro (PSol), operações como a ocorrida no Jacarezinho têm origem na ausência do Estado dentro das favelas.

“Muitas vezes, nossas favelas só conhecem a linha militarizada do Estado. O Estado precisa estar mais presente nas favelas e comunidades com outros setores. A operação não começou no dia 6 de maio. Começou com a ausência do Estado”, afirmou a deputada.

O deputado Coronel Salema (PSD) destacou o trabalho social feito por alguns policiais dentro de comunidades. “Quando sabem que há policial dando aulas de música, por exemplo, muita gente diz que isso não é papel de policial, mas é um trabalho muito importante. Há lugares em que a unidade policial já foi retirada da comunidade e os policiais seguem com o trabalho social por vontade própria”, ressaltou.

Aloma Carvalho