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Flávio Bolsonaro repete o pai e propaga dado falso sobre urnas em reunião com embaixadores

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a abordar o sistema eleitoral brasileiro durante reunião com representantes diplomáticos de quase 50 países e organizações internacionais realizada na terça-feira (21). Em sua exposição, o parlamentar mencionou a empresa venezuelana Smartmatic e sugeriu uma relação entre a fabricante e as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil, além de citar um suposto relatório da CIA sobre vulnerabilidades em eleições eletrônicas na Venezuela.

A declaração repete um episódio protagonizado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que fez acusações semelhantes a embaixadores em 2022 e, posteriormente, foi condenado no processo da trama golpista, encontrando-se preso.

As declarações, no entanto, contrariam informações reiteradamente divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O órgão afirma que a Smartmatic jamais forneceu urnas eletrônicas ou participou do desenvolvimento do software utilizado nas eleições brasileiras.

Durante o evento “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação em parceria com o The Brazilian Report, Flávio Bolsonaro afirmou que as urnas brasileiras teriam origem na mesma empresa envolvida em denúncias relacionadas ao processo eleitoral venezuelano.

Apesar das declarações, o TSE mantém o posicionamento de que todas as urnas eletrônicas e o sistema de votação são desenvolvidos, administrados e auditados exclusivamente pela Justiça Eleitoral brasileira. Em nota atualizada neste mês de julho, o tribunal classificou como falsas as informações que associam a Smartmatic ao fornecimento de equipamentos ou softwares utilizados nas eleições do país.

Segundo a Corte Eleitoral, a empresa nunca participou da programação das urnas eletrônicas brasileiras. O único vínculo existente ocorreu na prestação de serviços de conexão de dados e voz e no treinamento de profissionais que ofereceram suporte técnico-operacional em eleições anteriores. O tribunal também lembra que a Smartmatic disputou, sem sucesso, a licitação para fabricação de urnas em 2020, vencida pela empresa Positivo.

O TSE também reforça que o software das urnas é desenvolvido exclusivamente pela Justiça Eleitoral e que o sistema opera de forma isolada da internet, utilizando mecanismos próprios de criptografia para transmissão dos dados. Conforme o órgão, o modelo vem sendo submetido a testes públicos e auditorias há mais de duas décadas, sem registros de fraude na totalização dos votos ou violação do sigilo do voto.

Ao final de sua participação no encontro com diplomatas, Flávio Bolsonaro afirmou que não pretendia questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. O senador defendeu apenas o aumento da presença de observadores internacionais nas eleições, incluindo especialistas em tecnologia, com o objetivo de ampliar a transparência do processo.

Após a repercussão das declarações, a pré-campanha do parlamentar divulgou nota oficial afirmando que houve interpretação equivocada de sua fala. O texto sustenta que Flávio Bolsonaro deixou claro, durante o evento, que “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e que sua manifestação teve como objetivo defender o fortalecimento da transparência, da integridade e da confiança pública nas eleições.

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