Fiocruz alerta que situação da pandemia no Rio é alarmante

março 3, 2021 /

Uma nota técnica divulgada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que o Rio de Janeiro está entre os 19 estados em que a pandemia do novo coronavírus se encontra em situação grave. Entretanto, o levantamento está em desacordo com a posição do comitê científico da Prefeitura do Rio, que aponta situação sob controle.

No início da tarde desta quarta-feira (03), o prefeito Eduardo Paes (DEM) afirmou, em entrevista ao jornal Extra, que segundo informações “existe uma estabilidade na rede municipal de Saúde”, porém, após receber o boletim da Fiocruz, poderá aplicar medidas mais rígidas na cidade.

“Eu vi essa nota da Fiocruz, mas as informações que tenho é que existe uma estabilidade na rede municipal de Saúde, nos leitos e filas zeradas. Mas, diante dessa notícia, eu convoquei os técnicos para eles me dizerem o que eu devo fazer. Eu não sou epidemiologista. Mas se os infectologistas e os epidemiologistas nos disserem que teremos que tomar medidas mais duras, vamos tomar mais medidas sem temor — disse Paes.

Na cidade do Rio de Janeiro, a taxa de ocupação de leitos de UTI chega a 88%, acima da de São Paulo (76%), onde já foram adotadas restrições severas.

Segundo o boletim da Fiocruz, uma pesquisa mostrou houve agravamento simultâneo em todo o país de diversos indicadores da covid-19. como o “crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais”.

O levantamento apontou, ainda, que 19 estados apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI acima de 80% – no Boletim anterior eram 12.

“O cenário alarmante, segundo a análise, representa apenas a ponta do iceberg de um patamar de intensa transmissão no país. Diante disso, os pesquisadores acreditam ser necessária a adoção de medidas não-farmacológicas mais rigorosas.

O Boletim Extraordinário apresenta um conjunto de dados sobre casos, óbitos e taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no país – relativos ao Sistema Único de Saúde (SUS) – verificados em 1º de março, em contraponto aos observados em 22 de fevereiro, e divulgados no último Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz. Este crescimento rápido a partir de janeiro, de acordo com a investigação, é o pior cenário em relação às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos em vários estados e capitais, que concentram a maior parte dos recursos de saúde e as maiores pressões populacionais e sanitárias que envolvem suas regiões metropolitanas.

Diante desse quadro, os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz ressaltam a necessidade de adoção de medidas mais rigorosas de restrição da circulação e das atividades não essenciais, de acordo com a situação epidemiológica e capacidade de atendimento de cada região, avaliadas semanalmente a partir de critérios técnicos como taxas de ocupação de leitos e tendência de elevação no número de casos e óbitos.

A atual conjuntura – que combina uma crise sanitária e social simultaneamente – exige medidas que envolvam o sistema de saúde brasileiro nas áreas de vigilância e atenção à saúde, com o reforço de ações de atenção primária (APS) e vigilância em saúde, além de ações para mitigar os impactos sociais da pandemia, principalmente para os mais vulneráveis”, concluiu o boletim.

Aloma Carvalho