Um dos cinco jovens acusados de participar do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, é filho de um subsecretário do governo estadual. O investigado é Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, que está foragido.
Ele é filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado. A informação foi confirmada por fontes ligadas às investigações.
O caso ganhou repercussão política após a revelação do vínculo familiar. Até a noite desta segunda-feira, o governo estadual não havia informado se o subsecretário será mantido no cargo.
Quem é o subsecretário
Advogado com atuação na área de direitos humanos, José Carlos Costa Simonin integra o primeiro escalão da pasta responsável por políticas sociais no estado. Segundo informações disponíveis no site oficial do governo, ele é integrante titular do Conselho Gestor do Fundo de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais (FECP) e membro do Conselho Gestor do Fundo Estadual de Investimentos e Ações de Segurança Pública e Desenvolvimento Social (Fised).
Também ocupa a vice-presidência do Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas/RJ) e participou da elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social (Pedes).
Procurado, o governo do estado não se manifestou sobre eventual afastamento do subsecretário até a conclusão desta edição.
“Emboscada planejada”, diz delegado
De acordo com o delegado Ângelo Lajes, o crime foi resultado de uma “emboscada planejada”. A vítima teria sido atraída ao apartamento por um ex-namorado, de 17 anos, colega de escola, sob o pretexto de um encontro.
Segundo a investigação, o imóvel, alugado e que estaria vazio, seria do próprio Vitor Hugo. Imagens de câmeras de segurança registraram a sequência de entradas e saídas no prédio no dia 31 de janeiro. Às 19h24, quatro homens adultos chegam ao apartamento. Um minuto depois, o ex-namorado entra com a adolescente. Cerca de uma hora mais tarde, ela deixa o local acompanhada do menor. Vinte minutos depois, os demais envolvidos saem do edifício.
Em depoimento, a adolescente afirmou que foi conduzida a um quarto e impedida de sair. Disse ainda que foi segurada pelos cabelos, agredida com um chute na região abdominal e submetida a violência física e psicológica. Segundo ela, os rapazes passaram a se despir e a praticar atos libidinosos à força, após sua negativa.
O exame de corpo de delito identificou ferimentos na região genital, sangramento, hematomas nas costas e nos glúteos e suspeita de fratura em costela. A vítima procurou a Delegacia de Copacabana no mesmo dia.
Mandados de prisão e desligamento escolar
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ofereceu denúncia, e o Tribunal de Justiça expediu mandados de prisão preventiva por meio da 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.
Além de Vitor Hugo Oliveira Simonin, foram identificados como investigados:
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos;
- João Gabriel Xavier Bertho, 19;
- Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19;
- Um menor de 17 anos, ex-namorado da vítima, que pode responder por ato infracional análogo ao estupro.
Dois dos suspeitos estudavam no Colégio Pedro II, que iniciou processo de desligamento dos alunos envolvidos.
O Disque Denúncia divulgou cartaz solicitando informações que levem à localização dos foragidos.
Post de Castro gera enxurrada de cobranças
Por volta de 0h30, o governador Claudio Castro publicou em seu perfil no Instagram uma mensagem condenando o crime. Em cerca de oito horas, a postagem acumulava aproximadamente 10 mil comentários, a maioria cobrando a localização do filho do subsecretário e a exoneração do auxiliar.
Na publicação, o governador afirmou:
“O que aconteceu com a adolescente vítima de estupro coletivo é revoltante. É impossível não ficar estarrecido. Uma violência dessa natureza choca, revolta e fere toda a sociedade.
Como governador, pai e cidadão, não dá para aceitar que uma menina e qualquer mulher passem por uma violência tão brutal.
Determinei urgência total para localizar e prender todos os envolvidos. Eles vão responder por esse crime. A polícia está nas ruas e o Estado vai agir com rigor.
Vamos garantir apoio à vítima e à família. A Secretaria da Mulher está mobilizada para dar acolhimento psicológico, apoio jurídico e assistência integral necessários neste momento tão difícil.
À jovem e à sua família, minha solidariedade e respeito pela coragem de denunciar. Essa atitude é fundamental para que outros crimes sejam revelados.”
Entre os comentários mais curtidos estavam cobranças diretas:
- “Queremos respostas concretas e responsabilização @claudiocastrorj! Seu subsecretário exonerado já! E onde está Vitor Hugo?”
- “Queremos saber onde está o filho de seu subsecretário.”
- “Já demitiu o seu secretário?”
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a prisão dos suspeitos. A polícia afirma que realiza diligências para cumprir os mandados expedidos pela Justiça.
