Falta de kit-entubação: Comissão do Coronavírus na Câmara busca soluções para escassez de medicamentos

março 30, 2021 /

 O deputado Dr.Luizinho ( foto ) cobrou agilidade na chegada do IFA e  de outros produtos da indústria farmacêutica

 

Em audiência na Comissão Externa para o Enfrentamento ao Coronavírus da Câmara, nesta terça-feira, dia 31.3, para buscar soluções para a escassez de medicamentos e anestésicos em hospitais de todo o Brasil, representantes dos hospitais privados disseram que as requisições administrativas de medicamentos do chamado “kit intubação” para a Covid-19 por parte do Ministério da Saúde prejudicaram os contratos da rede particular com a indústria farmacêutica. Hoje, a escassez atinge tanto unidades públicas quanto privadas. E o problema está longe de ter uma solução.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde do ministério, coronel Luiz Otávio Franco Duarte, disse que a pasta buscou requisitar medicamentos para a rede pública de maneira que os contratos em vigor não fossem prejudicados, mas que a demanda cresceu acima do previsto.

Odilon Costa, diretor do laboratório Cristália, um dos maiores fabricantes de anestésicos do país, disse que a produção está sendo vendida em uma negociação diária com cada interessado. Segundo ele, não há estoque, e a produção atual não dá conta da demanda.

Costa explicou que a requisição do governo para a rede pública foi feita com base em uma disponibilidade de momento, retirando um pouco de vários contratos em andamento. Mas, segundo ele, a demanda foi surpreendente.

O presidente do Sindusfarma, Nelson Mussolini, defendeu a negociação caso a caso para evitar desabastecimentos pontuais.
“Requisição administrativa atrapalha a logística da indústria farmacêutica. Sempre disse e disse nesta comissão várias vezes, que nós sabemos fazer duas coisas bem feitas no nosso negócio: medicamentos e a logística destes medicamentos. A gente tem a sensibilidade na ponta do dedo sobre a quem entregar, como entregar e a rapidez que cada um precisa. Quando se tira isso da gente, ficamos um pouco sem chão”, afirmou.

Mussolini disse que não será possível fazer estoques com importação, como havia sugerido o secretário Franco Duarte. Segundo ele, o problema de abastecimento é mundial.

O presidente da Sindusfarma sugeriu à comissão que peça prioridade de vacinação para os trabalhadores das empresas farmacêuticas, porque eles estão trabalhando todos os dias, 24 horas, e cada falta causa prejuízos.

Nelson Mussolini pediu ainda que o Ministério da Saúde atualize os protocolos para intubação, de forma a reduzir a necessidade de medicamentos. Os fabricantes relataram que estão aumentando a produção com novas unidades produtoras. Entretanto, em alguns casos, como no do medicamento midazolam, um indutor de sono, tem faltado o IFA, o Ingrediente Farmacêutico Ativo, importado.
Alguns também citaram falta de ampolas de vidro.

O deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ), presidente da Comissão Externa e também da Comissão de Seguridade e Família da Câmara, prometeu atuar nestes problemas. “Quero colocar a nossa comissão à disposição para cada uma das indústrias para que a gente possa agilizar a chegada de IFA, assim como temos feito com a vacina. Também faremos com os insumos para a indústria farmacêutica. Pedido direto ao Ministério de Relações Exteriores. Se for necessário, falamos com presidentes de congressos de cada um dos países para ajudar na chegada do IFA”, afirmou.

O secretário Franco Duarte explicou que fez várias requisições pontuais de medicamentos, visitando cada empresa, e que não teria como prever a falta de remédios para aqueles hospitais que não tinham contratos ativos com a indústria. Segundo ele, os hospitais precisam criar uma rede de comunicação para empréstimos de medicamentos para resolver situações de emergência.

Breno Monteiro, presidente da Confederação Nacional de Saúde, citou o exemplo de um hospital privado do Pará, que desde o dia 16 de março não consegue comprar medicamentos. Os representantes de hospitais privados também reclamaram de diversos tipos de autorizações necessárias para a importação de medicamentos. Os representantes da Anvisa informaram que ainda esta semana haverá uma solução para o problema.

Leonardo Barberos, da Federação Brasileira de Hospitais, disse que alguns hospitais de pequeno porte têm tido de fechar leitos de UTI por falta de medicação. E citou aumentos no preço de medicamentos em até 2.200%.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.