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Exemplo de solidariedade: doador faz última contribuição ao Hemorio às vésperas de completar 70 anos

Após 41 doações desde 1997, Ilton Borges da Silva se despede do Hemorio com festa surpresa e deixa legado de solidariedade que ajudou a salvar dezenas de vidas

Muita emoção marcou a manhã desta segunda-feira (16/3) no Hemorio. É que às vésperas de completar 70 anos, idade limite para a doação de sangue, Ilton Borges da Silva realizou a sua 41ª contribuição, fechando um ciclo de solidariedade e amor ao próximo.

Morador de Anchieta, na Zona Norte da capital, o segurança aposentado é doador desde 1997. Assim como hoje, ao longo de quase três décadas, ele saiu de casa às 6h, pegou o trem até a Central do Brasil e seguiu andando até o Hemorio. Tudo isso com o único objetivo de ajudar a salvar vidas, tornando-se um exemplo de fidelização à causa da doação de sangue.

“Sabendo da importância do meu sangue, que é universal, é gratificante demais saber que salva tantas vidas. É uma sensação de dever cumprido, valeu a pena. Queria até seguir doando, mas, pela idade, não poderei mais”, afirmou Ilton, que tem o sangue O negativo (O -).

Além das doações regulares de sangue, Ilton também passou a doar plaquetas, hemocomponente essencial para diversos tratamentos. As plaquetas são utilizadas em cirurgias, transplantes e transfusões para pacientes com câncer, especialmente leucemia, além de vítimas de acidentes. O Hemorio, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), é responsável por abastecer o estoque de mais de 100 unidades públicas de saúde em todo o estado.

A despedida do doador foi celebrada com uma festa surpresa preparada pela equipe do Salão do Doador. Ilton foi recebido com bolo, vela de aniversário, camisa do Hemorio, medalha e um broche em homenagem à sua trajetória de solidariedade. A assistente social Vanessa Andrade, que integra a equipe responsável pela promoção da doação de sangue, destacou a importância da fidelização dos doadores.

“Ilton é um exemplo, porque é uma concretização do nosso trabalho. Nós trabalhamos no setor de promoção da doação de sangue, com uma atuação educativa, e o objetivo é fidelizar. Ele é um doador que comparece sempre, atende às nossas solicitações e tem sangue do tipo O negativo, que pode ser transfundido em qualquer paciente. Doadores como ele são muito importantes para o serviço, porque ajudam a manter o estoque e auxiliam pacientes que precisam da doação para o tratamento”, explicou.

Para o coordenador do Salão do Doador do Hemorio, o médico Vicente Januzzi, a história de Ilton representa o impacto que um único cidadão pode ter na vida de muitas pessoas. “Ele é um exemplo que deve ser copiado pelo máximo de pessoas possíveis. Ao longo dessas décadas, ajudou a salvar dezenas de vidas”, destacou.

Mesmo se despedindo das doações, Ilton reforça que pretende continuar incentivando outras pessoas a praticar o gesto solidário. “Não custa nada fazer a sua doação. É gratificante. Além disso, tenho muita admiração por todos aqui. Sempre fui muito bem acolhido”, elogiou.

A SES-RJ tem atuado para ampliar gradativamente o número de doações de sangue. Entre as iniciativas estão a criação de novos polos regionais de coleta e a implantação, recentemente, de uma terceira equipe de coletas externas, ampliando as oportunidades para que mais pessoas possam doar.

Em 2025, o Hemorio coletou 96 mil bolsas de sangue. Este ano, até quinta-feira (12/3), mais de 15 mil bolsas já haviam sido doadas no estado.

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