Estudos para nova concessão da Dutra não beneficiam cidades da Baixada Fluminense

novembro 27, 2019 /

  1. Se depender dos estudos do governo federal, revelados ontem por Rafael Antônio Creen Benini, representante do Ministério da Infraestrutura, o novo modelo de concessão para o rodovia Presidente Dutra, não beneficiará as cidades da Baixada Fluminense.

Deputado Luizinho quer ajuda da futura concessionária para os hospitais que atendem os acidentados da Dutra

Deputados federais e estaduais, vereadores e até o Diretor Geral do Hospital da Posse, Joé Sestelo, saíram perplexos e irritados da audiência pública realizada pela Comissão e Viação e Transporte da  Câmara, em Brasília, para discussão das concessões de vários trechos de rodovias federais.

Benini: audiências públicas começam em janeiro de 2020

O médico Joé Sestelo esteve na audiência pública para cobrar ajuda, com o dinheiro arrecadado pelo pedágio, para os hospitais da Baixada

O atual contrato de concessão, de 25 anos, de 400 quilômetros da Presidente Dutra, que liga o Rio a São Paulo, terminará em fevereiro de 2021. Até lá, o governo Bolsonaro terá que licitar a concessão por igual período. O período de audiência pública para o fechamento do proposta que a Agência Nacional de Transportes Terrestres  (ANTT) apresentará às empresas interessadas começará em janeiro do próximo ano. A ANTT terá 45 dias para fechar o modelo.

Três deputados federais da Baixada Fluminense, região de 4 milhões de moradores que é cortada pela Dutra, se manifestaram indignados com a omissão do governo federal na promoção de melhorias no entorno das entradas e entradas e  saídas dos municípios, além da construção de viadutos, pontes e abertura de agulhas para melhorar a mobilidade. O deputado Luiz Antônio Teixeira Júnior, o Dr. Luizinho, que é médico ortopedista, considerou um absurdo os técnicos do governo federal não terem incluído na composição da futura tarifa de pedágio, como compensação, recursos financeiros para que os hospitais que atendem as vítimas e acidentes na Dutra sejam indenizados. Em Nova Iguaçu, por exemplo, o hospital da Posse, que atende acidentados de praticamente todas as cidades da Baixada, consome um terço de seus recursos para emergência somente para atender as vítimas de acidentes na Presidente Dutra. O diretor geral do HGNI, Joé Sestelo, propôs a criação de um Fundo específico para que as cidades da Baixada tenham uma compensação pelo atendimento dos pacientes que são levados para os hospitais da Baixada pelas ambulâncias da concessionária Nova Dutra.

Representante da Frente Parlamentar da Alerj, Giovanni Ratinho cobrou melhorias em São João de Meriti

Luiz Antônio Teixeira cobrou, ainda, que na proposta do novo modelo de concessão para o trecho da Dutra que corta a Baixada obrigue a futura concessionária a alargar a pista da Dutra, de Belford Roxo a Seropédica. Segundo ele, a Baixada não vai se desenvolver economicamente enquanto houver o gargalo no trânsito da Dutra, particularmente em Nova Iguaçu, onde o motorista leva uma hora preso nos engarrafamentos nos horários de pico.

Da audiência pública da Comissão e Viação e Transportes, convocada por Juninho do Pneu (Democratas-RJ) , compareceram também os deputados Gélson Azevedo ( PL) e Giovani Ratinho ( PRTB), ambos de São joão de Meriti, que exigiram do representante do Ministério da Infraestrutura a duplicação do viaduto que liga São João de Meriti ao Shopping Grande Rio. Ratinho falou em nome da Frente Parlamentar da Baixada que reúne 17 deputados na Assembléia Legislativa do Rio. Vereadores de Nova Iguaçu, Mesquita, Japeri, Nilópolis e de Mesquita também participaram da audiência.

A Diretora-Presidente da CCR Nova Dutra, Carla Forsana, apresentou os números positivos obtidos pela concessionária. Com gráficos, mapas e um filme, mostrou o que foi feito ao longo do período em que a empresa assumiu a concessão da Dutra. Segundo ela, ao ser privatizada, rodovia presidente Dutra diminuiu em 75% o número de acidentes.

Carla Forsana, da CCR, disse que a receita da cobrança de pedágio não é uma caixa-preta

  • – A situação é gravíssima para as cidades da Baixada. O nosso apelo é que o governo federal reavalie este projeto já nos próximos dias – pediu o deputado Dr. Luizinho após ouvir as informações de Rafael Antônio.

 

 

 

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.