O Brasil passa por uma transformação demográfica com o envelhecimento acelerado da população. A pirâmide etária se redesenha com o crescimento expressivo de pessoas acima dos 60 anos (57% desde 2010, segundo o Censo 2022), somado à queda da natalidade. A projeção é de que a população brasileira pare de crescer a partir de 2041, impactando diretamente o consumo. Para o varejo supermercadista, entender esse novo cenário é essencial para inovar, criar conexões e fidelizar clientes.
Um novo perfil de consumidor
O público 60+, historicamente negligenciado, apresenta características próprias: carrinhos menores, maior poder aquisitivo, fidelidade às marcas, foco em custo-benefício, saúde e conveniência. De acordo com a Rock Encantech, 18,6% dos clientes do varejo supermercadista têm mais de 60 anos, responsáveis por até um quarto das vendas. Considerando também os consumidores 50+, esse número sobe para 37%. O ticket médio é de R$ 141,82 para 60+ e R$ 163,71 para 50-59 anos.
Oportunidade de mercado
Estudos mostram que atender esse público vai além de adaptação geracional: trata-se de oportunidade concreta de gerar valor. “Descobrimos que todo mundo acima de 55 anos era colocado em uma única categoria. Era uma população com poder de consumo, mas ignorada pelas marcas”, destacou Mariana Fonseca, CEO da Mariposa, ao citar o estudo Tsunami 60+.
A experiência do consumidor 60+
Esse público valoriza fidelidade, atendimento humanizado e experiências personalizadas. A comunicação deve se basear em comportamentos e fases de vida, não apenas em idades. “O ciclo de vida impacta mais no consumo do que a geração”, afirmou Andrea Bisker, do Clube Aladas. Já Iza Dezon, CEO da DEZON, destacou que identidade, bem-estar, evolução, laços afetivos e pertencimento são fatores que conectam consumidores de todas as idades.
Como atender melhor os 60+
Estratégias apontadas incluem:
- Atendimento humanizado e empático;
- Serviços personalizados (entregas, suporte, orientação tecnológica);
- Layout acessível (corredores amplos, sinalização clara);
- Experiências confortáveis (horários de menor fluxo, personalização);
- Produtos adaptados (embalagens práticas, alimentos funcionais);
- Tecnologia aplicada à personalização e programas de fidelidade;
- Campanhas sem estereótipos, valorizando autonomia e experiência.
Fernando Gibotti, da Rock Encantech, ressalta cashback e benefícios como incentivo de fidelização, enquanto Tamara Paccas aponta para personalização de promoções e respeito ao ciclo de vida do consumidor.
Envelhecer é uma nova fase de consumo
Com a estimativa de 21 milhões de novos idosos no Brasil até 2030, o setor deve abandonar achismos e adotar ações baseadas em dados, escuta ativa e experiências personalizadas. Investir no público 60+ é investir no futuro do negócio.
