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Educação e esporte: Copa do Mundo proporciona aprendizado dentro e fora da sala de aula

Fotos: Magnific e fotógrafos da agência agência Getty Images.


Maior evento esportivo do planeta estimula o desenvolvimento infantil e torna o ensino mais dinâmico e interdisciplinar

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A Copa do Mundo começa daqui a um mês. De quatro em quatro anos, o evento transforma a rotina dos brasileiros. As ruas ganham bandeiras, famílias e amigos se reúnem diante da TV, conversas sobre seleções e jogadores dominam os intervalos e, para as crianças, surgem novas curiosidades sobre países, idiomas, culturas e tradições. Mais do que um campeonato de futebol, o torneio é um fenômeno cultural capaz de despertar emoções, criar memórias afetivas e fortalecer vínculos entre gerações.

5 de dezembro de 2022: Jogadores do Brasil comemoram depois que Neymar marcou seu segundo gol na vitória por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul nas oitavas de final, no Estádio 974 (foto de François Nel)
 

Este ano, a competição será sediada em três países – Canadá, Estados Unidos e México — e promete, mais uma vez, mobilizar milhões de pessoas ao redor do mundo. E todo esse entusiasmo também pode ser levado para dentro das escolas. Educadores apontam que o evento mundial é uma oportunidade valiosa para transformar um tema presente no cotidiano dos alunos em ferramenta pedagógica, capaz de engajar crianças e adolescentes em atividades que envolvem cultura, geografia, matemática, história, alfabetização, educação socioemocional e hábitos saudáveis.

23 de novembro de 2022: o goleiro alemão Manuel Neuer se junta ao ataque para disputar um cabeceio com o zagueiro japonês Maya Yoshida, no Khalifa International Stadium (foto de Dan Mullan)
 

Copa é catarse para o brasileiro
 

Em nosso País, a Copa do Mundo transcende o universo esportivo e se consolida como um fenômeno cultural e social. É um momento em que diferentes gerações compartilham memórias, tradições e expectativas em torno de um objetivo comum.
 

Segundo a professora de educação física da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo, Andrea de Luca, o evento é uma oportunidade de crianças e jovens vivenciarem tradições culturais, compreenderem símbolos nacionais, conhecerem costumes de outras nações e participarem de experiências afetivas compartilhadas com amigos e familiares. “Essa mobilização coletiva desperta um forte senso de pertencimento, identidade nacional e celebração. Muitas vezes, é nesse contexto que surgem as primeiras lembranças relacionadas ao esporte, à torcida e ao sentimento de coletividade”, afirma.

24 de novembro de 2022: Richarlison marca o segundo gol do Brasil na vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia no Lusail Stadium (foto de Michael Steele)
 

Além do aspecto cultural e emocional, o torneio também abre espaço para reflexões importantes sobre respeito, convivência, diversidade e o valor das experiências coletivas, mostrando às crianças como grandes eventos podem unir pessoas em torno de objetivos, emoções e valores em comum.
 

“Na escola, conseguimos aproveitar essa energia para promover atividades coletivas, estimulando o senso de comunidade. É uma grande oportunidade para estreitar laços entre alunos, famílias e educadores, transformando a empolgação do torneio em experiências de aprendizagem e convivência”, acrescenta Andrea.


 

Esporte como ferramenta de desenvolvimento
 

Em um país onde o futebol faz parte da cultura popular, a competição também funciona como uma oportunidade para reforçar a importância do esporte no desenvolvimento infantil e juvenil. A prática esportiva é uma ferramenta importante para a formação integral de crianças e adolescentes, contribuindo para aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos.
 

28 de novembro: jogadores de Gana se preparam para fazer o reconhecimento de campo antes da partida do Grupo H contra a Coreia do Sul no Education City Stadium (foto de David Ramos)

“Ao participar de atividades esportivas, os alunos desenvolvem habilidades como disciplina, cooperação, resiliência, foco, senso de responsabilidade e respeito às regras, competências que impactam diretamente a convivência escolar e a vida em sociedade”, afirma Rodrigo Marçura, docente e coordenador de esportes do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP). “Além disso, o esporte favorece a criação de hábitos saudáveis desde cedo, incentivando o movimento em uma rotina cada vez mais marcada pelo sedentarismo e pelo uso excessivo de telas”, acrescenta.
 

Ainda segundo Marçura, o futebol pode ser uma porta de entrada para despertar nas crianças o interesse por práticas corporais e por uma relação mais positiva com a atividade física. A partir do torneio, as escolas podem promover gincanas, circuitos motores, jogos cooperativos e outras atividades que estimulem o trabalho em equipe, o espírito esportivo e hábitos mais saudáveis dentro e fora da sala de aula.
 

“O esporte ensina muito além da técnica. Ele ensina sobre persistência, superação, colaboração e respeito. Em um contexto como a Copa do Mundo, conseguimos ampliar esse olhar e mostrar às crianças valores que elas podem levar para a vida toda”, completa Marçura.

1º de dezembro: de 2022 Jogadores do banco da Alemanha parecem desanimados durante a partida contra a Costa Rica no Al Bayt Stadium após serem eliminados do torneio na fase de grupos (foto de Shaun Botterill)

Benefícios na Educação Infantil
 

Na educação infantil, a Copa do Mundo pode ser explorada de forma lúdica, sensorial e afetiva, aproveitando a curiosidade natural das crianças e o encantamento que o evento desperta. Cores, bandeiras, mascotes, uniformes, músicas e mapas se tornam elementos atrativos para despertar o interesse dos pequenos e ampliar seu repertório cultural.
 

Segundo Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Interncional de Alphaville-IEA, de Barueri (SP), nessa fase da vida, em que o aprendizado acontece principalmente por meio da brincadeira, da observação e da experimentação, o tema pode ser um recurso valioso para estimular diferentes áreas do desenvolvimento.

27 DE JUNHO – Menina acompanha tensa Brasil e Sérvia na Praça Mauá, no Rio de Janeiro — Foto: Marcos Serra Lima/G1
 

“Trabalhar a temática da Copa do Mundo na educação infantil é uma oportunidade rica para desenvolver os atributos do perfil do aluno, como mentalidade aberta e conhecedora. Aproveitamos a oportunidade para conduzir uma investigação natural, permitindo que as crianças explorem, de forma lúdica, a diversidade cultural, as tradições e os sistemas de comunicação de diferentes nações”, diz.
 

lém disso, é possível promover o desenvolvimento de habilidades de pesquisa e pensamento crítico desde cedo, incentivando os pequenos a compreenderem que, embora sejamos diferentes em nossas origens, compartilhamos valores globais de cooperação, respeito e fair play. “Na primeira infância, o aprendizado acontece muito pela brincadeira. A Copa oferece elementos visuais, culturais e afetivos que despertam o interesse e ajudam a desenvolver a linguagem, movimento, criatividade e interação social.”
 

Entre as atividades possíveis apontadas pela docente da EIA, estão pintura de bandeiras, rodas de conversa, brincadeiras temáticas, jogos simbólicos, músicas e contação de histórias sobre diferentes países, povos e culturas.
 

3 de dezembro de 2022: Crianças prontas para entrar em campo conversam com Messi antes da partida das oitavas de final da Argentina contra a Austrália, no Estádio Ahmad Bin Ali (foto de Maja Hitij)

Oportunidade para trabalhar a interdisciplinaridade
 

O Mundial também representa uma oportunidade potente para conectar diferentes áreas do conhecimento de forma prática, contextualizada e atrativa. Por fazer parte do cotidiano dos alunos e despertar interesse espontâneo, o tema pode tornar o aprendizado mais significativo, ampliar o engajamento em sala de aula e favorecer experiências pedagógicas integradas.
 

“A Copa do Mundo é um excelente exemplo de aprendizagem significativa, porque conecta conteúdos curriculares a algo que faz parte do cotidiano dos alunos. Quando o conteúdo faz sentido para a criança, o engajamento e a assimilação tendem a ser maiores. Além disso, o tema permite ampliar repertórios culturais, fortalecer atitudes de respeito e trabalhar, de maneira intencional, a valorização da diversidade e a prevenção de manifestações xenofóbicas”, afirma Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do Brazilian International School-BIS, de São Paulo (SP).
 

Na Geografia, por exemplo, os estudantes podem conhecer os países participantes, suas localizações, culturas, idiomas, costumes, bandeiras, características territoriais e aspectos sociais. Em Matemática, tabelas, gráficos, estatísticas, calendários, placares e probabilidades podem contribuir para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da alfabetização matemática. Em História, o torneio pode servir como ponto de partida para revisitar edições anteriores, acontecimentos históricos, transformações sociais, relações internacionais e mudanças culturais ao longo do tempo. Já em Língua Portuguesa, a temática pode inspirar produções textuais, pesquisas, debates, leituras, atividades de interpretação e práticas de argumentação.

9 de dezembro de 2022: o goleiro argentino Emiliano Martínez defende o primeiro pênalti da Holanda na disputa pelas quartas de final no Lusail Stadium (foto de Patrick Smith)
 

Além das disciplinas tradicionais, a Copa abre espaço para discussões fundamentais sobre diversidade cultural, inclusão, convivência, respeito às diferenças, idiomas, consumo consciente, cidadania global e até empreendedorismo, por meio de projetos ligados a eventos, campanhas temáticas, feiras culturais ou vendas simbólicas. “Nesse contexto, é essencial que o trabalho pedagógico vá além da competição esportiva e promova a valorização das culturas dos diferentes países, evitando estereótipos, generalizações e atitudes xenofóbicas”, acrescenta Dias.
 

Ao estudar as seleções participantes, os alunos podem ser convidados, por exemplo, a reconhecer que cada país possui uma história, uma identidade, diferentes formas de viver, celebrar, se comunicar e se relacionar com o mundo. Essa abordagem favorece o respeito intercultural e ajuda a construir uma visão mais empática, crítica e humana sobre outras nacionalidades. “A escola, nesse sentido, tem um papel importante estimulando o diálogo, a escuta, a curiosidade respeitosa e a compreensão de que as diferenças culturais devem ser reconhecidas como riqueza, e não como motivo de discriminação”, finaliza.
 


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