Testemunhei o vareio do bolsonarismo nas urnas das cidades da Baixada uma semana antes das eleições. Fui ver o desempenho de Eduardo Paes numa caminhada na feira de Areia Branca, na divisa com o bairro de Heliópolis, em Belford Roxo. Era um domingo de chuva fina, uma feira quase vazia e poças de água suja e barrenta. No corpo a corpo, Paes fazia um grande esforço para conquistar feirantes e clientes.
Paes abraçava e beijava eleitoras, fazia selfies sorrindo, brincava, era muito simpático. Apenas três políticos da Baixada o acompanhavam, entre eles sua candidata a vice-governadora, Jane Reis, o irmão Washington ( ex-prefeito de Duque de Caxias) e Igor Meneses ( PT), o único dos 25 vereadores que faz oposição ao governo municipal de Belford Roxo. Guardei aquela imagem de Jane, tímida, com dificuldades para abordar eleitores. Primeiro, ela tinha que informar ao eleitor quem era ela e depois chamar Paes para apresentá-lo a pessoas de uma outra cidade. Aquilo não ia dar certo. Não deu mesmo. Naquele domingo, Paes não fez uma boa feira. O assunto da feira naquele dia era a “indignação com os ministros do STF”
Voltei a rever Paes, novamente debaixo de uma chuva forte, agora na praça Rui Barbosa, Centro de Nova Iguaçu, porta de entrada do calçadão da Amaral Peixoto, cartão-postal do comércio popular da principal cidade da Baixada. O candidato a governador estava rodeado de prefeitos que lhe fizeram juras de amor e fidelidade. No que chamaram de “ato histórico”, lá estavam Dudu Reina, Netinho Reis, Glauco Kaiser, Léo Vieira, Andrezinho Ceciliano, Fernanda Ontiveros, Jamile Cozzolino e Mariana Malta, a jovem prefeita de Belford Roxo que finalmente colocava um pé na canoa de Eduardo Paes.
Os deputados estaduais e federais da Baixada não prestigiaram o ato pró-Paes na Praça Rui Barbosa . Paes já estivera dias antes no calçadão, desta vez ciceroneado pelo deputado federal Juninho do Pneu. Permaneceu alguns minutos, tomou cafezinho com três lojistas conhecidos num bar e foi embora.
Na semana que antecedeu a eleição de 4 de outubro, Paes, sem a presença de jornalistas, foi mostrar a Rogério Lisboa (o ex-prefeito que abandonou Douglas Ruas na véspera da convenção) , e a Dudu Reina, prefeito da cidade, seu projeto para a área ocupada há anos por um galpão da pista do aeroclube de Nova Iguaçu. Gravou um vídeo segurando um mapa e depois foi embora. A repercussão foi pequena; a pauta da campanha naquele dia não rendeu manchetes, embora a ideia do “aeroporto “ser transformado em um grande parque municipal seja ótima numa cidade pobre de áreas de lazer.
Tudo isso deu no que deu: Douglas Ruas , grudado em Flávio Bolsonaro, venceu , no primeiro turno, a eleição para governador do Rio em todas as cidades da Baixada Fluminense.
*Paulo Cezar Pereira, jornalista profissional, é editor-chefe do Nova Iguassu Online.







