E o metrô para a Baixada , governador ?

Pelo projeto, os moradoes de São João e Meriti, Mesquita, Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu seriam beneficiados no quesito mobiliade.

Ao longo do mandato do governador Cláudio Castro, do PL, tive a oportunidade de lhe perguntar em três ocasiões diferentes sobre o início das obras que um dia trarão o metrô até à Baixada Fluminense, uma de suas muitas promessas da campanha vitoriosa que o levou ao Palácio Guanabara para o mandato que está chegando ao fim.

Castro tinha acabado de degustar uma rabada desfiada com polenta, uma das muitas iguarias da Pizza&Pasta, restaurante da rua Mário Guimarães, um dos tradicionais pontos de encontro de políticos da região, transformada naquela noite numa espécie de diretório do grupo político que comanda Nova Iguaçu há uma década pelas legendas do PP, do PL e de seus aliados.

– Fique tranquilo, vai sair, só falta o Tribunal de Contas liberar a licitação – respondeu o governador ao ser cobrado pelo Nova Iguasu Online pela última vez, publicamente, na semana do Natal do ano passado. Foi a mesma resposta das cobranças anteriores quando Castro esteve em Nova Iguaçu para encontros com prefeitos na representação da Firjan e depois em Austin.

Cláudio Castro, justiça seja feita, não foi o primeiro governador que se elegeu com os votos do povo da Baixada prometendo expandir o metrô para nossa região. Nos anos 90, o casal Garotinho ( Anthony e Rosinha) também transformou o sonho dos passageiros dos trens da Supervia em prioridade nas propostas das campanhas vitoriosas. Marco Aurélio Alencar, o todo-poderoso filho do governador Marcello Alencar, certa vez visitou o então prefeito Nelson Bornier na prefeitura de Nova Iguaçu nos anos 90. Debaixo do braço, o então secretário de Planejamento carregava um “projeto revolucionário”.

Tratava-se de uma intervenção urbana para que o trem mergulhasse na estação ferroviária de Nova Iguaçu, transformando seu espaço atual num shopping, sem prejuízos ao tráfego ferroviário. O projeto mergulhão virou chacota na cidade. Eleito pelo PSDB em 1994, Marcello Alencar teve sua gestão marcada por privatizações, como a do Banerj, e pela expansão da linha 2 do metrô ,da estação Engenho da Rainha até à Pavuna, inaugurada em 1998.

Marcelo Allencar foi além na mobilidade: atendeu o pedido de Bornier e construiu a Via Light, obra que mudou radicalmente a área central de Nova Iguaçu e deu aos municípios de Mesquita, São João de Meriti, Belford Roxo e Nilópolis uma alternativa de mobilidade para os congestionamentos do tráfego de veículos da Dutra na altura das cidades da Baixada cortada pela rodovia que liga o Rio a São Paulo.

E já que estamos num ano eleitoral, que tal os deputados federais Max Lemos (PDT) e Juninho do Pneu ( União Brasil) explicarem publicamente o que aconteceu, afinal, com o projeto de expansão do metrô até Nova Iguaçu ? Em meses diferentes, os dois parlamentares também garantiram, em nome do governo estadual, no auditório da Unig, que os passageiros dos trens da Supervia ficariam livres do sufoco da viagem no ramal de Japeri.

Estudos de várias instituições com soluções de mobilidade para área densamente ocupada, como é o caso da Baixada Fluminense, indicam três opções: VLT, BRT e metrô de superfície. Estimativa de custos: R$ 2 bilhões.

Em tempo: o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que deixa o cargo amanhã para disputar as eleições para governador, deu uma força ao povo da Baixada com a construção do Terminal Metropolitano Pedro Fernandes às margens da Dutra, em Irajá, onde estão os BRTs para várias regiões do Rio. Uma “treta” eleitoral marcou a chegada de ônibus da Baixada ao terminal e o inoperante Detro quase levou um ônibus de Mesquita para a Delegacia de Polícia. Ainda não é o que nós queremos, mas a ação de Paes já ajuda na mobilidade e no valor da passagem.

*Paulo Cezar Pereira, jornalista, é Editor Chefe do Nova Iguassu Online.

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