O bispo da Diocese de Nova Iguaçu e presidente da Regional Leste 1 da CNBB, Dom Gílson Andrade da Silva, presidiu neste sábado (12) a celebração da missa das 6 horas no Santuário Nacional de Aparecida, onde estavam romeiros e 70 padres que viajaram durante a madrugada em 203 ônibus, vans e carros paticulares. Carioca do Méier, Dom Gílson Andrade comemorou seus 60 anos de idade com uma homilia na qual comentou também o momento político no Brasil e as eleições. “A polarização é cansativa”, disse o líder religioso em sua pregação.
“Somos diferentes, nossas paróquias são diferentes, nossas pastorais são diferentes, cada um tem seu jeito de pensar e de servir, mas recebemos o mesmo Cristo.Por isso, a Eucaristia nos ensina que devemos ser uma Igreja unida”, afirmou o bispo da Diocese de Nova Iguaçu, da qual fazem parte os católicos também de Belford Roxo, Nilópolis, Mesquita, Queimados, Japeri, Paracambi e do Distrito de Conrado ( Miguel Pereira).
“A romaria torna visível aquilo que celebramos na Eucaristia: somos muitos, mas somos um só povo em Cristo. Nesses tempos de uma polarização cansativa, pela força da Eucaristia sejamos polos de comunhão e não de divisão”, acrescentou Dom Gílson.
Bispo emérito, Dom Luciano Bergamin também foi acolhido carinhosamente pelo padre Camilo Jr, missionário redentorista que comanda o A12, canal digital da TV Aparecida, da qual é o diretor de programação. Camilo destacou a história da Diocese de Nova Iguaçu na defesa dos mais humildes e Dom Luciano leu a consagração a Nossa Senhora de Aparecida.
Homilia – Romaria a Aparecida 2026
Irmãos e irmãs, mais uma vez nos encontramos aqui, como Diocese de Nova Iguaçu, unidos a tantos que chegam à casa da Senhora Aparecida de todas as partes deste imenso Brasil.
A romaria é uma pausa importante na caminhada da vida e da Diocese, pois ela nos lembra que somos um povo a caminho, ainda não e chegamos à meta que esperamos alcançar, e também nos faz ver que não caminhamos sozinhos: pelas estradas da vida está conosco a Mãe de Jesus que sempre nos indica a direção certa para alcançar a meta: “façam tudo o que meu Filho lhes disser”. Mas também estão conosco muitos irmãos e irmãs que partilham seus sonhos, suas dores e suas esperanças. Além de ser um lugar de fé, o Santuário é um lugar de comunhão e de esperança.
Deixamos nossas casas e nossas comunidades para nos encontrarmos como Igreja, aos pés de Nossa Senhora, e para renovar nossa fé em Jesus, mas queremos voltar com mais fé, mais comunhão e mais coragem para a missão. Uma romaria sempre é oportunidade de transformação (conversão) pessoal que, depois, reflete no retorno a casa.
A Eucaristia é o ponto alto! E hoje São Paulo nos lembrava que “o pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Porque há um só pão, nós, embora muitos, somos um só corpo.” É isso que a Eucaristia faz de nós: um só corpo, o corpo de Cristo! Esta é a transformação que Ele quer fazer em nós. Somos muitos! Somos diferentes, nossas paróquias são diferentes, nossas pastorais são diferentes, cada um tem seu jeito de pensar e de servir, mas recebemos o mesmo Cristo.Por isso, a Eucaristia nos ensina que devemos ser uma Igreja unida.
Se comungamos o mesmo pão, precisamos aprender a caminhar juntos, a perdoar, a ajudar, a cuidar uns dos outros, a reconhecer o outro como parte de mim.
A romaria torna visível aquilo que celebramos na Eucaristia: somos muitos, mas somos um só povo em Cristo. Nesses tempos de uma polarização cansativa, pela força da Eucaristia sejamos polos de comunhão e não de divisão.
A Igreja (nós) é convidada a viver uma conversão pastoral. Queremos ser uma Igreja mais missionária, mais próxima das pessoas, mais atenta aos pobres, às famílias, às crianças e aos jovens. Mas tudo começa aqui: na comunhão com Jesus, na comunhão concreta junto do altar e vivida no dia a dia da nossa experiência de fé e de caridade.
Aqui se coloca o fundamento para a casa estar bem construída e ter a solidez para enfrentar as tempestades, os imprevistos, as lutas que não faltam na vida de ninguém e também não podem faltar na vida de um cristão. A vida tem tempestades, todos nós sabemos disso! Há dificuldades nas famílias, problemas sociais, violência, insegurança, decepções. Também a Igreja passa por desafios! Mas Jesus nos diz: quem escuta sua Palavra e a pratica é como aquele que constrói sobre a rocha. E a rocha é Ele.
O mês de setembro, mês da Bíblia, pode ser uma boa oportunidade para uma revisão e, se for o caso, uma manutenção das bases da nossa vida. Sempre é importante a capacidade de avaliar e, com a graça de Deus, olhar para frente.
Ouvimos Jesus, que nos disse hoje: “Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos.”
Então precisamos perguntar: que frutos estamos produzindo? Nossas comunidades estão produzindo comunhão? Estão gerando discípulos? Estão acolhendo os jovens? Estão fortalecendo as famílias? Estão cuidando dos pobres? Estão levando as pessoas a um encontro com Jesus? Porque uma Igreja alimentada reunida ao redor da Palavra e da Eucaristia precisa dar frutos.
As novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil nos convidam a ser uma Igreja missionária, sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos e comprometida com a vida das pessoas. E o nosso Congresso Eucarístico Diocesano nos ofereceu uma síntese muito bonita: “Eucaristia: Pão do céu partilhado, Igreja em saída.”
A Eucaristia nos reúne, alimenta e transforma. Mas depois nos envia.
A romaria não termina simplesmente quando chegamos ao Santuário. Encontramos o Senhor junto de Maria. E voltamos para casa com uma missão. É aqui que o Evangelho da casa construída sobre a rocha se torna muito concreto: queremos voltar decididos a construir nossas famílias, comunidades e a Diocese sobre Cristo e sua Palavra. A Diocese de Nova Iguaçu tem uma história bonita de presença junto ao seu povo, especialmente junto aos mais pobres e vulneráveis.
Maria nos ensina a voltar para a missão! Ela nos ensina a escutar e a fazer a Palavra acontecer. Ela disse: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra.” E depois se levantou e foi ao encontro de Isabel. Maria recebeu a graça e colocou-se a caminho. Que ela nos ensine a fazer o mesmo! Como acompanhou os discípulos no início da Igreja, Maria continua acompanhando a Igreja em sua missão. Por isso, nossa peregrinação é também um gesto de confiança: “Mãe Aparecida, caminhai conosco. Levai-nos a Jesus. Ajudai-nos a permanecer unidos. Ensinai-nos a escutar a Palavra e a colocá-la em prática.” Amém!
Dom Gílson Andrade da Silva, bispo da Diocese de Nova Iguaçu.
