Ícone do site Nova Iguassu Online

Do Cristo às montanhas: nova trilha redesenha o Rio de Janeiro pela natureza

Captura De Tela 2026 05 13 083151

‘Volta ao Rio’, lançada no início do mês, propõe trechos a pé, de bicicleta e até de caiaque e não precisa ser feita de uma vez só

O Rio de Janeiro ganhou uma supertrilha de 3.500 km que liga unidades de conservação e cartões-postais em todas as regiões do estado.

“Volta ao Rio”, lançada no início do mês, conecta trilhas já consagradas, como a Transcarioca, que cruza a capital, a trechos de bicicleta e até de caiaque. Segundo os organizadores, cerca de 60% do caminho já está sinalizado, e esse processo está em andamento.

Mapa da Trilha Volta ao Rio — Foto: Divulgação

Não é necessário percorrer todo o trajeto de uma só vez. O percurso pode ser realizado em etapas, de acordo com a disponibilidade de cada pessoa, e em diferentes momentos do ano.

Também não há um “início” nem um “fim”: o mapa é cíclico, parecendo o símbolo do infinito (∞), e o trilheiro consegue partir de qualquer ponto.

Assim, é possível curtir as baixas temperaturas do Parque Nacional do Itatiaia e aproveitar o sol quente da Região dos Lagos. Também estão nos 3.500 km a Travessia Petrópolis-Teresópolis, pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos; um giro de remo pelo Rio Paraíba do Sul; e um passeio pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina até Paraty.

“A Volta ao Rio é a junção de várias trilhas que hoje pertencem à Rede Brasileira de Trilhas — no final de uma começa a outra”, explicou Hugo de Castro Pereira, coordenador do projeto. “A gente entende que será a trilha mais importante do mundo.”

Passa pela capital também

O percurso inclui ainda o Cristo Redentor, que fica no Parque Nacional da Tijuca, e o Pão de Açúcar, ícones mundialmente conhecidos. Ao todo, seriam 90 dias para ver tudo.

https://novaiguassuonline.com.br/wp-content/uploads/2026/05/11trilha.mp4

Diferentes níveis de dificuldade

Embora não haja, nos 3.500 km, paredões de escalada, existem trechos na Volta que exigem preparo e técnica. “A gente passa pelo Caminho da Serra do Mar, que começa ali na subida de Magé, pelo Caminho do Ouro, e atravessa toda a Serra dos Órgãos, um trecho alto”, detalha Hugo.

“Tem um ponto mais difícil, uma ‘escalaminhada’ chamada Cavalinho, entre Petrópolis e Teresópolis”, citou.

Hugo ressalta que há muitos trechos para iniciantes. “As partes de praia são fáceis. Tem a Rota Cabista, em Arraial do Cabo, que é maravilhosa”, disse.

“Grande parte da trilha é fácil”, emendou.

Desenvolvimento econômico

“A trilha vai colocar o Rio de Janeiro em um outro patamar em relação ao turismo de natureza no mundo”, declarou Hugo.

“A Volta ao Rio materializa, na prática, a integração das regiões turísticas do estado em um único produto estruturante. É uma ferramenta concreta de regionalização do turismo, com impacto direto na geração de emprego, renda e conservação da nossa biodiversidade”, emendou.

Luiz Aragão partiu no dia 1º do Cristo Redentor com o objetivo de registrar todos os 3.500 km da Volta ao Rio. “Percorrê-la é validar, quilômetro a quilômetro, que o turismo de aventura é uma indústria limpa, capaz de profissionalizar o morador do campo e injetar recursos diretamente no comércio local”, disse.

“As trilhas de longo curso são corredores vitais que levam o desenvolvimento econômico aonde nenhuma outra infraestrutura chega”, prosseguiu.

Do Cristo, Aragão desceu até o Centro do Rio, de onde seguiu de barca para Paquetá. Em seguida, atravessou de barco particular até Mauá, em Magé, iniciou a subida rumo a Petrópolis e fez a travessia até Teresópolis. Durante o percurso, ele pernoitou por três noites.

Na última atualização desta reportagem, ele estava no Parque Estadual dos Três Picos, seguindo em direção a Nova Friburgo, na Região Serrana.

A iniciativa é conduzida de forma integrada pela Rede Brasileira de Trilhas, pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e pela Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro (TurisRio), com apoio do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério do Turismo e das prefeituras que aderiram ao projeto.

O projeto segue em expansão, para integrar, progressivamente, todos os 92 municípios do RJ.

Veja fotos de pontos da trilha:

Trilha Volta ao Rio: Arraial do Cabo — Foto: Divulgação
Trilha Volta ao Rio: Monumento Natural Estadual da Serra da Maria Comprida — Foto: Divulgação
Trilha Volta ao Rio: Vale do Café — Foto: Divulgação
Trilha Volta ao Rio: Parque Nacional da Bocaina — Foto: Divulgação
Sair da versão mobile