Deputados da Alerj podem eleger governador da Baixada para mandato-tampão em abril

André Ceciliano tem votos de deputados da esquerda, do centro e da direita.

Donas de um terço dos 13 milhões de eleitores que estiveram aptos a votar nas eleições de 2022 no estado do Rio, as 13 cidades da Baixada Fluminense, reduto bolsonarista na últma eleição presidencial, poderão ter o atual Secretário Especial de Assuntos Federativos da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI/PR)S, André Ceciliano, filho de Nilópois, no comando do governo estadual a partir de abril deste ano, se o atual dono da principal cadeira da política fluminense, o governador Cláudio Castro ( PL), deixar o Palácio Guanabara para disputar uma das dus vagas para o Senado. Castro dá sinais de que disputará as eleições deste ano, mas ainda não anunciou a data em que passará o governo ao sucessor.

Experiência e jogo de cintura não faltam a André Ceciliano, candidato do presidente Lula nesta eleição indireta para ajudá-lo na campanha eleitoral. Lula é candidato à reeleição e, no Rio, precisa do apoio da máquina estadual este ano. O nilopolitano está colocando seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores e dos deputados da Alerj para disputar o mandato-tampão. Nos bastidores, ele costura apoios importantes para garantir seu retorno à presidência da Alerj. Ceciliano já teve dois mandatos de prefeito de Paracambi, cidade hoje administrada por seu filho, Andezinho Ceciliano. Foi secretário de Governo em Nova Iguaçu e presidiu a Assembleia Legislativa com a morte de Wágner Montes e depois foi reeleito. Foi na gestão de Ceciliano que a Alerj votou o impeachment do então governador Wilson Witzel, afastado do cargo por corrupção.

Como presidente da Assembleia Legislativa, Ceciliano pacificou o parlamento fluminense e viabilizou diversas propostas de políticas públicas de Cláudio Castro. Ele tem excelente relação com as principais lideranças políticas do Rio, à esquerda, ao centro e à direita. Em Brasília, é aliado da bancada federal do Rio no governo Lula e atende diariamente, sem distinção, os prefeitos das cidades do Rio e trata dos interesses do governo do estado do Rio de Janeiro no governo federal.

Ceciliano, se conseguir ser eleito pelos deputados estaduais, não será o único político da Baixada Fluminense a conquistar um cargo majoritário. Nos anos 80, o vice-governador Francisco Amaral, um maranhense de Pedrinhas, ocupou algumas vezes a cadeira de governador do Rio durante as viagens internacionais de Moreira Franco. Chico Amaral, advogado da Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Nova Iguaçu durante o bispado de Dom Adriano Hipólito, teve dois mandatos de deputado estadual, ambos pelo MDB. Morava em Nova Iguaçu e tinha o hábito de ir de trem para trabalhar em Paracambi, onde foi Procurador-Geral a convite do então prefeito Délio Leal nos anos 90.

Gilberto Rodriguez, que fez carreira política em Nilópolis, também ocupou a cadeira de governador interinamente porque Chico Amaral, o vice de Moreira Franco (1987 a 1990), não assumiu o governo estadual porque estava em campanha para o Senado. Gilberto assumiu o Palácio Guanabara por alguns dias porque Moreira Franco estava em Moscou. O então presidente da Alerj acabou sancionando a lei que criou o município de Belford Roxo, antigo 4º Distrito de Nova Iguaçu.

Jorge Gama, ex-deputado federal, também mirou o Palácio Guanabara nas eleições de 1982, pelo MDB, mas como candidato a vice-governador de Miro Teixeira. O vencedor desta eleição, no segundo turno, contra Moreira, foi Leonel Brizola, do PDT.

Ex-prefeito de Duque de Caxias por dois mandatos, Hideckel de Freitas Lima, um mineiro de Poços de Caldas que era genro de Tenócio Cavalcanti, assumiu o mandato de senador com o mote de Afonso Arinos em 1990. Anteriormente já tinha sido deputado estadual e federal.

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