Deputado propõe que Via Light passe a se chamar Rodovia Prefeito Nelson Bornier

abril 14, 2021 /

Nas fotos de Alziro Xavier (PMNI), a Via Light, o verde e a cidade de Nova Iguaçu hoje

*Paulo Cezar Pereira

A RJ 081, que em 2012, por força de uma lei estadual,  virou Rodovia Carlinhos da Tinguá ,como era chamado o empresário Luiz Carlos Duarte Baptista,  vai se chamar Rodovia Prefeito Nelson Bornier, se a Assembléia Legislativa do Rio aprovar o projeto que o deputado Pedro Brazão (PL) protocolou ontem naquela Casa. Mais conhecida como Via Light, a estrada, construída em 1998 pelo então governador Marcello Alencar, foi criada sob as torres de alta tensão da Light entre Nova Iguaçu e a Pavuna, numa extensão de 12 quilômetros. Até hoje é atribuída à insistência de Bornier, que se elegeu prefeito em 1996,  a retirada do projeto do papel.

Principal obra de Marcello Alencar na Baixada Fluminense, a Via Light acabou ajudando a reeleger  Nelson Bornier em 2000. Durante os anos dos três mandatos de prefeito e cinco de deputado federal de Bornier, a população de Nova Iguaçu  ganhou melhorias na saúde, na educação, na infraestrutura, no planejamento e no social. No entanto, nas pesquisas qualitativas encomendadas pela Prefeitura, a maioria dos entrevistados identificavam Bornier como “o prefeito da Via Light”. Antenado com o recado da consultas, ele assumiu como sendo de sua gestão uma obra sonhada há anos pela população.

Bornier, que faleceu em decorrência da Covid-19 no último domingo, municipalizou a obra, acrescentando ao projeto a criação de parques e de áreas de lazer na área central de Nova Iguaçu. Secretário de Urbanismo e Meio Ambiente, coube a Vicente Loureiro coordenar, urbanísticamente, o principal ganho da cidade nas últimas décadas. O engenheiro Giovanni Guidone e os arquitetos Luney Martins e Carla Neves ajudaram Vicente a mudar, na área central da cidade, o espaço que até então era ocupado por hortas debaixo das torres.

A Via Light acabou virando cartão postal, mas seus parques e equipamentos de lazer atualmente  estão abandonados. É na Via Light que a Prefeitura realiza passeios ciclísticos, desfiles de escolas de samba e outros eventos, como a Parada Gay, por exemplo.

Quando prefeito, entre 2005 e 2010, Lindbergh Farias (PT) prolongou a Via Light até à Rua Conselheiro Lafayete, em Comendador Soares. Recentemente, Rogério Lisboa, atual prefeito de Nova Iguaçu, fez algumas intervenções  na via : abriu acessos próximo ao viaduto Dom Adriano Hipólito e na esquina da Rua Domn Valmor, melhorando a mobilidade. Porém,  a Via Light está abandonada, com lixo e sem iluminação adequada,  nos acessos aos municípios de Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis e São João de Meriti. Ela é usada como rota de fuga de bandidos que se escondem no Complexo do Chapadão.

As obras de expansão e alargamento da Via Light, orçadas em R$ 300 milhões, e de implantação da TransBaixada, nas margens do Rio Sarapuí, no valor de  R$ 250 milhões, chegaram a ser anunciadas pelo então  vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão em meados do ano 2000.  Em 2015, Eduardo Paes, prefeito do Rio,  também subiu num palanque para garantir a Bornier a extensão da Via Light até Madureira. Os recursos viriam do Ministério das Cidades.

O plano do Governo do Estado era estender a Via Light até a Avenida Brasil.  Pezão dizia que  a obra facilitaria quem mora no lado esquerdo da Baixada a se deslocar para o Rio de Janeiro, sem passar pela Via Dutra.

A TransBaixada seria feita por etapas. O primeiro trecho ligaria a Rodovia Washington Luiz à Via Dutra. Na segunda etapa, a estrada chegaria até a Via Light. Depois, ela seria estendida até Deodoro, na Zona Norte do Rio. A rodovia cumpriria  duas funções importantes para a região: desafogar o trânsito em várias cidades e disciplinar o curso do Rio Sarapuí, acabando com inundações.

 

*Paulo Cezar Pereira, jornalista.

Paulo Cézar

PAULO CEZAR PEREIRA, também chamado de PC ou Paulinho da Baixada, aprendeu jornalismo nas redações de alguns principais veículos – rádios,jornais e revistas. Conheceu, como Repórter Especial do GLOBO, praticamente todos os estados brasileiros, as duas antigas Alemanhas antes da reunificação, Suiça, Austria, Portugal, França, Itália, Bélgica, Senegal, Venezuela, Panamá, Colômbia e a Costa Rica. É casado com Ana Maria e tem três filhas que já lhe deram cinco netos. Tem três paixões: a família, o jornalismo e o Flamengo. No passado, assessorou um governador, um senador, dois prefeitos e vários deputados. Comandou a área de Comunicação de Nova Iguaçu num total de 12 anos. Já produziu três livros : um para a Coleção Tiradentes, outro contando a evolução de Nova Iguaçu quando a cidade completou 170 anos, e o do jubileu de ouro da Diocese de Nova Iguaçu.