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Deputado federal é alvo de operação contra esquema de compra de votos

Policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão contra Ricardo Abrão (PSDB); investigação mira corrupção eleitoral em Nilópolis

O  deputado federal Ricardo Abrão (PSDB) foi alvo de uma operação, na manhã desta terça-feira (3), contra um esquema de compra de votos, que teria ocorrido em Nilópolis, na Baixada Fluminense, nas eleições de 2024. Segundo a Polícia Federal, o objetivo é reprimir a corrupção eleitoral.

Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão domiciliar e pessoal, além do afastamento do sigilo de dados de equipamentos eletrônicos do parlamentar, que é candidato à reeleição.

A ação é um desdobramento de investigação, que começou em outubro de 2024 e resultou nas prisões em flagrante de 24 pessoas, sendo 15 delas com dinheiro em espécie e uma lista com o nome de eleitores que teriam os votos comprados.

Em fevereiro de 2025, a PF deflagrou a Operação Astreia, que teve o prefeito de Nilópolis, Abraão David Neto, o Abraãozinho (PL), como alvo principal. Durante a ação, os agentes apreenderam um carro de colecionador na casa do procurador-geral da Câmara Municipal da cidade.

As  investigações identificaram um “complexo esquema de corrupção eleitoral”, que envolvia candidaturas laranjas e uma rede de apoio de servidores públicos e políticos locais.

Em nota, o deputado afirmou que recebeu com “estranheza” a operação. “Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários.”

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Quem é Ricardo Abrão?

O empresário Ricardo Martins David, o Ricardo Abrão, de 53 anos, é natural de Nilópolis. Começou a carreira política em 2001, como chefe de gabinete no primeiro mandato do pai, Farid Abrão, ex-prefeito da cidade. O político é sobrinho do bicheiro Aniz Abraão David, conhecido como Anísio.

Ricardo foi deputado estadual por dois mandatos (2003–2006 e 2011–2014). Nesses períodos, presidiu as comissões de Trabalho e de Minas e Energia da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Entre 2017 e 2021, presidiu a escola de samba Beija-Flor. Em 2022, assumiu a Secretaria de Governo de Nilópolis.

Nas eleições de 2022, pelo União Brasil, recebeu mais de 43 mil votos para deputado federal. Entrou como suplente em fevereiro do ano seguinte. Entre saídas e retornos, foi efetivado na Câmara dos Deputados em abril de 2025, assumindo a vaga de Chiquinho Brazão – preso por acusação de ser um dos mandantes da morte da vereadora Marielle Franco.

No último mandato de Eduardo Paes (PSD) na Prefeitura do Rio, Ricardo ocupou o cargo de secretário de Ação Comunitária.

A Operação Astreia

Primo de Ricardo, Abraão Davi Neto (PL), o Abraãozinho, foi alvo da Operação Astreia, deflagrada em fevereiro de 2025, em um desdobramento das prisões no ano anterior.

Agentes cumpriram 2 mandados de busca e apreenderam R$ 172 mil em espécie na casa de Abraãozinho. Também foram retidos celulares, mídias e documentos.

Abraãozinho era investigado por um esquema de compra de votos, fraude à cota de gênero, apropriação de recursos destinados ao financiamento eleitoral e lavagem de dinheiro.

“Com o aprofundamento das diligências, foi possível identificar um complexo esquema de corrupção eleitoral, o qual envolvia o uso de candidaturas laranjas e uma rede de apoio que se estendia a servidores públicos e políticos locais”, afirmou a PF na ocasião.

Em nota, Abraãozinho negou as acusações e disse estar à disposição para auxiliar a Justiça.

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