Defesa confirma morte de ‘Sicário’, ligado ao Banco Master, em cela da Polícia Federal

Luiz Phillipi Mourão morreu após tentativa de suicídio e estava entre os investigados em operação relacionada a Daniel Vorcaro

A defesa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão confirmou que ele morreu nesta sexta-feira em Belo Horizonte. Conhecido como Sicário e apontado nas investigações como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, Mourão estava preso preventivamente desde quarta-feira na carceragem da Superintendência da Polícia Federal na capital mineira.

Segundo os advogados, o óbito foi declarado às 18h55 após o encerramento do protocolo de morte encefálica iniciado na manhã do mesmo dia. Mourão havia sido socorrido após tentar suicídio dentro da cela onde estava detido.

Em nota, a defesa informou que o quadro clínico evoluiu para óbito após a conclusão do protocolo médico iniciado por volta das 10h15. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal para os procedimentos previstos na legislação.

Registros do ocorrido

A Polícia Federal informou que a tentativa de suicídio ocorreu dentro da carceragem da corporação em Belo Horizonte, onde Mourão havia sido levado para cumprir prisão preventiva. A corporação afirmou que comunicou o episódio ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

De acordo com informações reunidas na investigação, todo o atendimento prestado ao detento foi registrado por câmeras de segurança da unidade. As imagens não teriam pontos cegos e devem ser encaminhadas ao Supremo para análise da dinâmica do ocorrido.

Na quarta-feira, quando o episódio aconteceu, a Polícia Federal informou inicialmente que o preso havia atentado contra a própria vida. Em seguida, a corporação divulgou nota afirmando que aguardava atualização da equipe médica para divulgar informações sobre o estado de saúde.

Estrutura investigada

As investigações apontam que Mourão coordenava uma estrutura informal chamada de A Turma, descrita como um grupo utilizado para atividades de vigilância, monitoramento e obtenção de informações sobre pessoas relacionadas às apurações ou críticas ao grupo investigado.

Segundo os investigadores, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para prestar serviços considerados ilícitos. A defesa informou que só se manifestaria sobre as acusações após ter acesso integral aos autos do inquérito.

A Polícia Federal afirma que o investigado realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos utilizando credenciais de terceiros. Entre as bases acessadas indevidamente estariam sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até bancos de dados internacionais.

Na decisão que autorizou as prisões de Mourão, Vorcaro e outros alvos da operação, o ministro André Mendonça mencionou indícios de que o banqueiro teria orientado o aliado a simular um assalto ou situação semelhante com o objetivo de prejudicar o colunista Lauro Jardim.

Segundo o magistrado, a intenção seria criar um episódio que pudesse intimidar e silenciar críticas e opiniões contrárias aos interesses privados do grupo investigado.

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