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Das leis ao tatame: deputados ensinam defesa pessoal a mulheres na Alerj

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A iniciativa reuniu cerca de 35 alunas e fez com que os parlamentares trocassem o paletó pelo kimono.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) levou o debate sobre segurança feminina para além do plenário nesta quinta-feira (25/06). Na galeria da Casa, servidoras e mulheres fluminenses aprenderam técnicas de defesa pessoal em aula ministrada pela deputada Índia Armelau (PL), professora de Educação Física, e pelo deputado Rodrigo Amorim (PL), faixa-preta de jiu-jítsu.

A iniciativa marca a primeira edição do “Alerj Por Elas”, programa voltado ao empoderamento e à autoconfiança feminina por meio da defesa pessoal. O evento reuniu 35 mulheres para aprender técnicas de proteção, ganhar mais confiança e se preparar para situações de risco.

Durante a aula, a deputada Índia Armelau destacou que, na disputa de força física, as mulheres partem em desvantagem. Por isso, o treinamento foca em habilidade e sagacidade — seja para evitar o confronto, seja para ganhar tempo e acionar ajuda.

“É fundamental que a Alerj, como a casa do povo, torne essa experiência recorrente, que entre no calendário oficial da Assembleia Legislativa e se torne um evento mensal, quinzenal ou semanal, trazendo cada vez mais mulheres, gratuitamente para aprender noções básicas de defesa pessoal”, afirmou.

Com base nos índices de violência contra a mulher — o Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com quatro casos por dia, e o Rio de Janeiro concentra o terceiro maior número do país —, a aula simulou situações cotidianas de risco, como puxão de cabelo, empurrão, agressão por enforcamento e como reagir ao ser derrubada ao chão.

O deputado Rodrigo Amorim destacou que a presença de mulheres de diversas faixas etárias demonstra força e coragem. “Claro que o maior objetivo é prevenir a violência. O maior instrumento de autodefesa é sair da confusão, evitar a briga. Mas, uma vez que o problema aconteceu, a mulher precisa saber movimentos básicos para preservar sua integridade física e, muitas vezes, lamentavelmente, a própria vida”, declarou.

Leis que protegem as mulheres

A ação se soma ao histórico da Alerj no enfrentamento à violência contra a mulher. Nesta semana, o Governo do Estado sancionou o Pacto Estadual Contra o Feminicídio. A Lei 11.231/26, assinada por 38 parlamentares, institui mecanismo permanente de combate ao feminicídio, com atuação integrada entre poderes públicos, órgãos de justiça, segurança pública e sociedade civil.

Outra medida recente é a Lei 11.025/25, de autoria dos deputados Sarah Poncio (SDD) e Rodrigo Amorim, que garante às mulheres fluminenses o acesso seguro ao spray de extratos vegetais como instrumento de legítima defesa.

A jovem Geovanna Black, de 15 anos, faixa verde com oito anos de jiu-jítsu, resume o espírito da tarde: para ela, a prática vai além do tatame e é uma ferramenta para romper com a vulnerabilidade a que as mulheres estão expostas no dia a dia. “A gente se apoia, ensina uma à outra a ser mais autoconfiante e a se impor mais”, disse.

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