O corpo da publicitária brasileira Juliana Marins foi içado com sucesso na manhã desta quarta-feira (25), após quatro dias de intensas buscas no Monte Rinjani, na ilha de Lombok, na Indonésia. A confirmação foi dada pelo marechal do ar TNI Muhammad Syafi’i, chefe da Basarnas, a agência nacional de busca e resgate do país.
Juliana, de 27 anos, havia desaparecido na última sexta-feira (20) após cair em uma encosta de aproximadamente 600 metros de profundidade durante uma trilha até o cume do monte, que é um dos pontos mais altos da Indonésia. Sem água, comida ou abrigo, a brasileira permaneceu presa em um local de acesso extremamente difícil até ser localizada e, posteriormente, resgatada pelas equipes.
De acordo com Syafi’i, as condições climáticas adversas impediram o uso de helicópteros.
— Uma aeronave chegou a decolar para dar apoio aéreo, mas precisou recuar por causa das condições climáticas — explicou.
Diante disso, as autoridades optaram por concluir a operação com cordas e sistema de içamento. A equipe de resgate foi composta por sete socorristas — quatro desceram até a vítima e três permaneceram no ponto de ancoragem superior.
— A distância entre o ponto superior e o local onde estava a vítima é de cerca de 600 metros, com vários pontos de ancoragem, o que torna o processo mais demorado. Neste momento, de acordo com informações do comandante de serviço em campo, a vítima já foi retirada até o ponto de apoio — declarou o chefe da Basarnas.
O corpo de Juliana foi então levado ao posto de Sembalun e será encaminhado ao Hospital da Polícia (RS Polri), onde ficará sob responsabilidade das autoridades indonésias e da família para os procedimentos de repatriação.
— Após a entrega oficial do corpo pela Basarnas ao hospital, o processo de repatriação ou procedimentos posteriores ficarão a cargo das autoridades e da família — completou Syafi’i.
A cronologia da tragédia
Sexta-feira, 20 de junho
Juliana e outros turistas subiam o Monte Rinjani acompanhados por um guia local. Ela havia pago cerca de R$ 830 pelo pacote de trilha até o cume. Durante a subida, por volta das 6h da manhã (horário local), Juliana teria se sentido cansada e parado para descansar. Segundo relato da família, o guia seguiu sozinho, e a brasileira acabou caindo em um desfiladeiro. O guia negou tê-la abandonado e afirmou que, ao retornar, percebeu que ela havia desaparecido e acionou as autoridades.
Sábado, 21 de junho
A Basarnas recebeu o alerta às 9h40 (horário local) e iniciou as buscas. Juliana foi avistada às 4h10 do domingo (horário local), mas o resgate não pôde ser feito por conta da neblina e das condições climáticas. Circulou a informação de que a jovem teria recebido alimentos e água, mas essa versão foi posteriormente desmentida.
Domingo, 22 de junho
Com o clima instável, as buscas foram suspensas temporariamente. O Itamaraty informou que havia acionado as autoridades locais e deslocado diplomatas brasileiros para acompanhar a operação. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também entrou em contato com o governo indonésio.
Segunda-feira, 23 de junho
O uso de drones térmicos possibilitou a localização de Juliana, aparentemente imóvel, a cerca de 400 a 500 metros do ponto de queda. A operação foi interrompida novamente por conta do tempo fechado.
Terça-feira, 24 de junho
A operação foi retomada e o Parque Nacional de Rinjani suspendeu temporariamente o acesso de turistas às trilhas. Por volta das 8h (horário de Brasília), o corpo de Juliana foi localizado pelos socorristas. Às 11h, a família confirmou a morte da publicitária por meio de nota publicada no perfil criado no Instagram para divulgar informações sobre o caso.
Uma morte que comoveu o Brasil
Natural de Niterói (RJ), Juliana Marins vivia na Ásia havia cerca de um ano. A jovem era conhecida por seu espírito aventureiro e já havia visitado diversos países da região. Sua morte causou comoção nas redes sociais, com amigos, familiares e internautas cobrando explicações sobre as circunstâncias do acidente e a conduta da equipe de trilha.
A família agora aguarda os trâmites legais para a repatriação do corpo. O Itamaraty informou que está prestando assistência consular aos parentes de Juliana e acompanha de perto os desdobramentos do caso junto às autoridades indonésias.
