34 municípios recebem apoio logístico e outros 485 contarão com força federal para a segurança do pleito
Para que a urna eletrônica utilizada na votação de amanhã (4), data do 1º turno das Eleições 2026, chegasse até o município do Oiapoque (AP), foram mais de três horas de voo. Os aviões que saíram de Belém (PA) contaram com apoio logístico do Exército Brasileiro. Sem a ajuda, a distância se multiplicaria. Para percorrer os mais de 1,1 mil quilômetros que separam os dois municípios, seriam necessárias mais de 37 horas entre travessia terrestre e deslocamento por balsas.
Desde o início da semana, militares trabalham na distribuição dos equipamentos que serão usados por eleitores de 34 municípios do país por terra, água e ar. Outras 485 cidades receberão apoio de militares que atuarão na segurança no dia do pleito – a chamada Garantia da Votação e da Apuração.
A Operação de Apoio ao Pleito Eleitoral 2026 conta, ao todo, com a participação de 26,5 mil militares. Das 27 unidades da Federação, apenas os estados do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e de São Paulo não solicitaram ajuda, mas a preparação das tropas começou bem antes, ainda em junho, quatro meses antes da eleição.
Os dados foram apresentados durante a visita de 55 convidados e observadores internacionais de 25 países à Sala de Comando e Controle da Força Terrestre, em Brasília. O local funciona como uma “sala de guerra”. Todas as informações do Exército referentes às Eleições 2026 são centralizadas no local. O grupo foi recebido pelo general Vasconcelos, comandante de Operações Terrestres do Exército. A diretora de Assuntos Internacionais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Renata Gil, acompanhou a visita.
As operações são acompanhadas em tempo real por satélite e pelas informações projetadas em dois painéis de 18 metros quadrados, que contam, ao todo, com nove monitores cada um. No domingo (4), data da eleição, a sala estará em pleno funcionamento. As atividades começam duas horas antes do início da votação e só se encerram ao final da apuração.
“Isso garante que, mesmo diante de alguma intercorrência, o eleitor que vive em um local longínquo possa exercer o voto da melhor maneira possível”, explicou o general Abelardo Prisco de Souza, chefe de emprego da Força Terrestre do Exército.
Poder de comando
O ministro do TSE, Dias Toffoli, explicou que, de acordo com a Constituição Federal, a ajuda do Exército só é concedida pela Justiça Eleitoral. “O poder de polícia é do juiz eleitoral, ou seja, a força militar faz o operacional, mas quem tem o poder de comando de ordem é o juiz eleitoral, são os tribunais regionais eleitorais, é o TSE”, afirmou.
Pelo Código Eleitoral, nenhuma força militar pode ficar a menos de 200 metros do local de votação. Isso “é para garantir a segurança de ir e vir do cidadão, garantir a logística, mas sem interferir na liberdade de voto”, declarou.
Eleições no exterior
No exterior, a distribuição das urnas eletrônicas para assegurar a votação de brasileiros em 104 países onde ocorrem eleições começou em setembro. O único país que não recebeu urnas eletrônicas foi a Rússia, onde entraves na logística aérea impediram a chegada do equipamento. Estados Unidos, Portugal e Japão reúnem os maiores colégios eleitorais brasileiros fora do país.
Os dados foram apresentados pela juíza-auxiliar Marília Guedes, do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Ela explicou que servidores públicos brasileiros em trabalho remoto no exterior atuarão como agentes eleitorais e destacou o envio das urnas eletrônicas. Como medida de contingência, todas as seções recebem urnas de lona, que pode ser utilizada caso a urna eletrônica não esteja disponível.
Em seguida, o assessor-chefe da Assessoria Eleitoral do Exterior do TRE-DF, Ricardo Noronha, explicou que o eleitor precisa estar cadastrado e comprovar residência no exterior para votar. A Zona ZZ, vinculada ao TRE-DF, funciona como uma única zona eleitoral para brasileiros residentes em outros países.
Noronha destacou que o eleitorado apto a votar no exterior passou de 200,3 mil, em 2010, para 918,4 mil, em 2026, crescimento superior a 350%. Apenas 25% desse público tem biometria cadastrada, por isso a identificação é feita com documento oficial. Ele concluiu destacando que a organização da votação de brasileiros no exterior envolve o TSE, o TRE-DF e o Ministério das Relações Exteriores.
